Família acusa o Hospital São Lucas de erro médico durante o parto. O recém-nascido morreu três dias após por falta de oxigênio e com ossos do crânio quebrados

Do DGABC – Uma família de Mauá acusa o Hospital São Lucas, em Ribeirão Pires, por erro médico durante o parto. O recém-nascido Lorenzo Oscar Santos morreu três dias após nascer e, segundo parentes, sem oxigênio e com ossos do crânio quebrados durante tentativa de fórceps – técnica utilizada em casos extremos para auxiliar a retirada do feto quando há algum problema durante o parto ou risco para o bebê ou gestante. O corpo foi sepultado nesta quarta-feira (7), no Cemitério Vale dos Pinheirais, no município mauaense.

De acordo com a família, a mãe de Lorenzo, Márcia Aparecida Oscar, 29 anos, teve a bolsa estourada na sexta-feira (3) e, por volta das 23h, deu entrada no hospital escolhido por ela para chegada do filho. Somente 17 horas depois o parto foi iniciado.

Cunhada de Márcia, Andréa Santos Miron, 32, disse que a jovem passou mais de 12 horas tendo contrações e à espera de parto normal. No entanto, ela tinha avisado ao corpo médico que não queria tentar o procedimento, já que o ginecologista que a acompanhou durante a gestação avisou que um osso dela impediria o processo. “Mesmo assim a equipe médica insistiu na tentativa do parto normal. Induziram com medicamentos, exercícios em bola, banheira. Tudo que podiam. As enfermeiras afirmavam que ela estava com dilatação e teria de continuar tentando”, disse.

A tia do bebê contou ainda que, em desespero, familiares invadiram a sala de preparo e viram que a barriga de Márcia estava deformada. “Ela já não tinha mais sintomas de contração. Estava cansada e com dores. Insistimos e então a médica, enfim, decidiu fazer o parto”, explicou Andréa.

“Pelo que nos foi relatado, a princípio tentaram via o fórceps e, quando a médica viu que o bebê não estava virado com o nariz para baixo, reintroduziu o feto na barriga e virou lá dentro. Aí sim optou pela cesárea, mas já era tarde demais”, lamentou a cunhada.

Ainda de acordo com depoimento de familiares, o bebê já nasceu sem sinais vitais, sem chorar e não respirava. Imediatamente foi entubado e levado ao Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, já que a unidade em que Lorenzo nasceu não dispõe de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal.

Andréa forneceu ao Diário o laudo médico dos dois hospitais. No relatório do São Lucas é afirmado pelo corpo médico que foi feita cesariana após tentativa com o fórceps. Já o atestado de óbito de Lorenzo, feito pelo Mário Covas, diz que o bebê deu entrada na unidade para tratamento na UTI depois de parto “complicado” de cesariana, realizado após tentativa “de fórceps malsucedido”. O laudo afirma ainda que Lorenzo apresentou anoxia severa (falta de oxigenação), convulsões e fratura de crânio.

Os familiares ressaltam que os pais só souberam que o bebê ficou sem oxigenação durante o parto, e que teve ossos do crânio quebrados quando médicos do Mário Covas relataram a situação. “No São Lucas ninguém falou nada. A médica plantonista que fez o parto fugiu de nós (família). O erro médico tirou a vida do nosso Lorenzo, e eles têm de tomar providências, até para preservar a vida de mais bebês”, disse Andréa.

A família registrou boletim de ocorrência no 1º DP (Centro) de Santo André e afirma que advogado entrará com processo contra o hospital. Os parente disseram que vão lutar por justiça pelo que caracterizam como “negligência com a vida”.

Moradores do Jardim Zaíra 3, em Mauá, o casal Márcia e André Luiz dos Santos, 29, mantém relacionamento há mais de dez anos e há dois decidiram morar juntos. Esse seria o primeiro filho deles.

Questionada, a Prefeitura de Ribeirão Pires, responsável pelo equipamento, informou que está apurando por meio do comitê de ética médica da unidade o atendimento prestado à paciente. Em nota, a administração municipal disse que, de acordo com informações que constam no prontuário médico, Márcia deu entrada na unidade hospitalar à 0h do dia 4 de janeiro, estava em trabalho de parto inicial e foi assistida. Ainda segundo a nota, “não houve registro de intercorrências até as 16h do mesmo dia, horário em que apresentou quadro de distocia de rotação e progressão fetal”. Foi indicada, de acordo com registro de atendimento médico, resolução obstétrica, através de cesariana. O prontuário pontua que o recém-nascido “apresentou intercorrências ao nascimento, sendo removido à Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Mário Covas”.

A Prefeitura lamentou o falecimento do bebê e disse que prestará “todo o suporte necessário à família da paciente”, comprometendo-se ainda, “o mais brevemente possível, esclarecer o ocorrido, adotando as medidas necessárias ao caso.”

O Diário aguarda posicionamento oficial do Hospital Mário Covas sobre a causa da morte do recém-nascido.

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