A paratleta Olímpica Regiane Nunes faz turismo por Ribeirão acompanhada por guias voluntários

A paratleta Olímpica Regiane Nunes, moradora de Ribeirão Pires, a convite do Guia Turístico Voluntário Patrick Alan e do historiador Marcilio Duarte, vez um verdadeiro City Tour por Ribeirão Pires no último domingo (12).

Em texto divulgado nas suas redes sociais, Regiane Nunes fala do prazer em conhecer novas realidades sem ter que arrumar malas, abastecer carro e outros afazeres que antecedem uma viagem. A atleta relata com delicadeza e muita sensibilidades a sua experiência turística ao mesmo tempo em que faz sugestões de melhorias, especialmente para portadores de necessidades especiais.

Acompanhe a seguir o texto

Turistando e aprendendo no quintal de casa, Ribeirão Pires… por Regiane Nunes

Não precisei arrumar malas, abastecer o carro, preparar lanchinhos, nem muito menos passar horas na estrada ou pagar pedágio. O Turismo foi aqui na cidade mesmo, em Ribeirão Pires, cidade onde moro a mais de 20 anos…

A convite do Patrick Alan, que desenvolve um trabalho independente bem legal voltado ao turismo, e acompanhada pelo Marcílio Duarte – uma verdadeira enciclopédia de conhecimento sobre a história da cidade, – tive um dia diferente em um lugar comum. Lugares, ruas, monumentos, praças e edificações cotidianas, em uma perspectiva repleta de “novos” significados.

Regiane Nunes e o Guia Turístico Voluntários Patrick Allan plantando muda nativa

Vou pontuar algumas sugestões e alternativas que encontramos no roteiro para que eu pudesse aproveitar o conteúdo da melhor forma possível. Mas ressalto que infelizmente encontrei falta de acessibilidade urbana, arquitetônica e comunicacional em todos os lugares que passei. As alternativas e sugestões suprem apena a questão comunicacional, a minha interação com os ambientes e informações, substituir o visual pelo tátil, ou pelo auditivo.

No roteiro:

Estação de trem, Praça e Igreja da Matriz, iniciando com a história dos colonizadores italianos e as famílias tradicionais da cidade.

-Patrick Alan me descreveu o espaço da praça central e me orientou quanto à localização da Matriz e da estação ferroviária. Além de descrever, por exemplo as cores das paredes e pilastras da igreja, número de torres, portas e janelas, assim como seus formatos.

Lembro-me que quando estive em Amsterdan, na Basílica de São Nicolau, assim como aconteceu aqui no Brasil, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, em Brasília, já cega, pude tatear miniaturas desses espaços, o que me possibilitou criar mentalmente a imagem de tais edificações. Como uma espécie de maquete. Inclusive, hoje estava organizando meu quarto, e mexendo em algumas caixas, encontrei um suvenir, comprado em 2011, quando eu ainda enxergava, a miniatura da igreja de Nossa Senhora da Assunção, um dos lugares mais lindos que conheci, a igreja fica em uma ilha exuberante em Bled, na Eslovênia, as fotos tiradas na visita não me fazem mais o menor sentido, mas tocar nesse suvenir, me fez recordar perfeitamente da bela imagem que vi.

Por isso, uma simples miniatura da Matriz, da capela do Pilar, ou mesmo dos santos dos São José e Santo Antônio seriam uma boa alternativa para tornar tais ambientes mais compreensíveis a um deficiente visual. Evidentemente que essa sugestão não isenta a questão da acessibilidade arquitetônica (rampas, elevadores, corrimãos), que também necessitam de ajustes.

Fábrica de Sal

Patrimônio histórico e monumento tombado, com uma aula sobre desenvolvimento industrial, engenharia e arquitetura.

-Fomos caminhando da praça da matriz até a fábrica, no caminho calçadas irregulares, obstáculos terrestres e aéreos (raízes de árvores e galhos), e enfim chegamos. Lá, encontrei um ambiente inacessível para qualquer pessoa, deficiente ou não, ruinas… Depois de uma boa mudança geral, uma coisa que poderia contribuir para que eu tenha ideia por exemplo da fachada da fábrica é uma fachada tátil, como a que conheci no Museu Republicano em Itu recentemente.

Mirante Santo Antônio

Com a contemplação panorâmica da cidade e noções de alguns conflitos religiosos.

-A visão panorâmica também poderia ser retrata por maquete, lógico que pelo menos uma noção de onde ficam os pontos principais da cidade, como a Matriz, a Ferrovia. Um exemplo disso eu conheci também recentemente na cidade de Salto de Pirapora, no Instituto Magnus, um lugar com acessibilidade plena.

Museu Municipal

Objetos e documentos que recontam sobre as famílias tradicionais da região, seus hábitos, profissões e curiosidades sobre a origem dos bairros e a expansão territorial do município.

-Esse lugar com certeza precisa ser comparado com o Museu Republicano, em Itu também, por sorte, eu estava acompanhada pelo Marcílio que conhece com detalhes cada peça exposta e me permitiu tocar em alguns objetos, isso contribuiu muito com a minha compreensão.

Torre de Miroku

Templo que reúne representações de divindades orientais e ocidentais que promovem a salvação da humanidade através do amor, da compaixão e da união.

-Esse foi o mais difícil de compreender, é muito complicado criar uma imagem de algo tão grandioso. Por mais que tentassem me explicar, as informações ficavam dispersas e confusas na minha cabeça. A torre, as imagens, os jardins e as paisagens. Confesso que fiquei cansada e até um pouco decepcionada com tantas informações perdidas. E quando já estava quase indo embora, no final do roteiro, a última parada foi à lojinha de lembranças, e esse lugar foi a minha salvação. Na lojinha, tinham réplicas pequenas da torre, das imagens, dos símbolos, e ao tocar esses objetos pude compreender grande parte do que havia ficado perdido no passeio. Até sugeri ao Patrick que caso algum dia ele conduza outro deficiente visual, que faça a inversão do roteiro, isso facilitará muito o processo.

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