Áudio de Carla Zambelli sugere compra de votos na reforma da Previdência

O presidente Jair Bolsonaro e a deputada Carla Zambelli durante sessão solene em homenagem ao ator Carlos Alberto de Nóbrega, na Câmara dos Deputados.

Está circulando na internet um áudio em que a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) admite que só conseguiu enviar recursos para um município paulista porque votou a favor da reforma da Previdência. A gravação teria sido enviada pela deputada a um governante municipal e está sendo vista pelos parlamentares de esquerda como uma prova de que houve compra de votos na aprovação da Nova Previdência. Carla Zambelli ainda não se manifestou.

A gravação, que começou a circular na noite dessa sexta-feira (17), chegou aos Trend Topics do Twitter no Brasil na manhã deste sábado (18). Com mais de 6,8 mil tuítes, Carla Zambelli já é um dos dez assuntos mais comentados na rede social.

A maior parte desses comentários vem de vozes da oposição que viram o áudio como uma prova de o governo federal pagou pelos votos dos deputados – até dos deputados que apoiam o governo Bolsonaro como Carla Zambelli – para poder aprovar a sua principal proposta econômica: a reforma da Previdência.

“Somado a diversas manifestações públicas de parlamentares e também do governo, o áudio de Carla Zambelli revela que a reforma da Previdência só foi aprovada a partir da liberação de dinheiro público para compra de votos. Um verdadeiro esquema sujo de ‘toma lá, dá cá'”, disse, por exemplo, a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP), que foi uma das primeiras a comentar o áudio e chamou a gravação de “escândalo”.

Veja outras reações, publicadas junto com o áudio atribuído a Carla Zambelli:

Até o deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), que era aliado do presidente Jair Bolsonaro na época da votação da reforma da Previdência e trabalhou com afinco para aprovar a proposta, usou o termo “compra de votos” para falar sobre o áudio de Zambelli. Veja:

Carla Zambelli, por sua vez, ainda não fez comentários sobre o áudio. Muito ativa nas redes sociais, ela não fez nenhum post nas últimas horas. Procurada, ela ainda também não respondeu o Congresso em Foco.

Investigação

A suspeita de irregularidades na aprovação da reforma da Previdência não é nova. Desde a votação da matéria na Câmara, os parlamentares falam sobre a promessa de emendas. E o que se comenta é que a saúde – área abordada no áudio de Zambelli – foi a que mais recebeu esses recursos.

A Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor do Senado, a pedido do senador Rogério Carvalho (PT-SE), chegou até a pedir que o Tribunal de Contas da União (TCU) fizesse uma auditoria nas emendas.

Nesta semana, o assunto virou até alvo de um inquérito do Ministério Público Federal (MPF). O MPF apura se o presidente Jair Bolsonaro; o presidente da Câmara, Rodrigo Maia; e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, fizeram interferências indevidas na aprovação da reforma. O inquérito foi aberto a pedido do Psol,que solicitou a investigação da liberação de mais de R$ 444 milhões em emendas irregulares, como lembrou Sâmia Bomfim neste sábado:

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