Líderes do PSC de FRP cobram R$ 1,224 milhão para indicar vice na chapa de Bira Lisboa. Samuel da Retok se indigna e abandona partido

Em áudio vazado ao Caso de Política nesta quinta-feira (2), o presidente do PSC de Formosa do Rio Preto, Elias Santos e seus dois aliados, Pastor Carlos Ronair e o empresário do ramo da informática, Eliel são flagrados cobrando a quantia de R$ 1,224 milhão pela indicação de um nome de vice-prefeito para compor a chapa majoritária com Bira Lisboa (PP) nas eleições de outubro.

O ato da suposta extorsão aconteceu em reunião na tarde desta quinta-feira (2), para tratar da indicação de Samuel da Retok para a vaga.

Segundo ouve-se no áudio com duração de pouco mais que uma hora, o trio impõe condição do pagamento do valor como condição de uma aliança. Elias Santos Presidente do PSC de Formosa estipula o valor de R$ 96 mil, o empresário Eliel diz que teria a receber R$ 70 mil e o Pastor Carlos Ronair que antes mesmo da reunião pediu licença a todos para fazer uma oração a Deus, disse que queria receber R$ 120 mil.

Conforme disseram eles, “os valores seriam referentes a promessas que o atual prefeito teria feito durante a campanha eleitoral de 2016”.

Eliel, empresário do ramo de informática, – o mais ganancioso – alega no áudio que teria uma promessa de 300 bolsas mensais no valor de 70 reais, que somados chegam à casa dos R$ 21 mil mensais. Ao todo, somando-se os 48 meses de um mandato, Bira Lisboa teria que lhe pagar a cifra de R$ 1.008.000,00 (um milhão e oito mil reais).

O presidente Elias Santos, presidente do PSC, esperava um emprego para a sua esposa com salário de 2 mil reais , que daria uma dívida total acumulada de R$ 96 mil reais. Um detalhe, é que Elias Santos exerceu cargo comissionado na prefeitura de Formosa do Rio Preto como diretor na Secretaria Municipal de Educação, e foi exonerado recentemente do posto.

O Pastor Carlos Ronair, que puxou uma oração evocando a Deus no início da reunião, afirmou que o prefeito não lhe prometeu nada, mas mesmo assim exigiu a quantia de R$ 120 mil reais.

O Repórter ABC entrou em contato com o prefeito Termosires  Neto que negou que tenha feito compromissos nos moldes em que foram expostos pelos integrantes do Partido.

Esta reportagem entrou em contato com Bira Lisboa para maiores informações sobre o caso e colheu a seguinte declaração que foi encaminhada via aplicativo Whatsapp:

“Fui procurado a cerca de três dias pelo presidente do PSC que ventilou a possibilidade de uma composição com a formação da chapa com vice do PSC. Alguns comerciantes da cidade me sugeriram o nome de Samuel da Retok, inclusive como representante da categoria. Sei que Samuel é uma pessoa honrada e gosta de Formosa, além de ter um espírito de homem público. Sei que ele é evangélico e tem o respeito do seguimento religioso. Me senti a vontade para a conversa, mas o que eu não sabia era que haveria uma proposta indecorosa que envolvia interesses financeiros particulares. Confesso que fiquei decepcionado e frustrado mas a população saberá interpretar a atitude de cada um. E cada um vai fazer um exame de consciência. Tenho certeza que os grandes homens públicos não agem dessa forma. Como presidente do PP na cidade esperava uma conversa institucional, entre partidos”, declarou Bira.

Fizemos contato o primeiro contato às 9:58hs com o presidente Municipal do PSC de Formosa do Rio Preto, Elias Santos por telefone, mas não obtivemos sucesso. Numa segunda tentativa – via ligação por Whatsapp – Elias Santos questionado sobre o teor registrado no áudio não negou a conversa e fez a seguinte declaração:

“O Bira sabe que o PSC não se uniria a ele. O que ele tenta é desmoralizar o partido na cidade mas não conseguirá. O PSC nasceu na cidade em função da oposição ao atual prefeito e não apoiaríamos candidato ligado a atual administração” disse Elias Santos, Presidente do PSC.

Questionado sobre o teor do áudio o Pastor Carlos Ronair disse: “O Bira é um cara mentiroso! Ninguém aqui colocou condição financeira. A questão aqui é honra, coisa que ele não tem. E outra coisa, a condição de ir apoiar Bira que o candidato ao qual a ele é do prefeito, eu disse a ele: você está com uma pedra amarrada no pé – que se chama Termosires – ele (Termosires) é um cara sem palavra, sem honra tá…. porque não honrou compromissos e por isso o PSC não acompanharia Bira por conta disso. A questão não é Bira, a questão é que Bira esta atrelado a Termosires. E a questão dos valores, foi acordo que Termosires fez com os integrantes do PSC e sabíamos que Termosires não ia cumprir”, declarou o Pastor Carlos Ronair em áudio encaminhado.

Em contato com o empresário Eliel Santos, foi feito via mensagem de texto no Whatsapp, após tentativa frustrada de ligação telefônica, onde havia cortes na fala. Foi então acordado o envio de mensagem, o que aconteceu às 10:12hs nesta manhã de sexta-feira (3).

Repórter ABC: Bom dia, meu nome é Luís Carlos Nunes, jornalista do Portal Caso de Política, recebemos nesta quinta-feira (2) um áudio que registrou diálogo entre integrantes do PSC, Elias Santos, Pastor Carlos Ronair e Eliel Santos. Na conversa registrada em áudio é dito – supostamente por você – o condicionamento do pagamento de R$ 1.008.000,00, – dívida esta acumula em fruto de um acordo com o atual prefeito da cidade – como condicionante para uma aliança numa chapa majoritária com Bira Lisboa nas eleições de outubro. No total os três citados cobram pagamento total de R$ 1.224.000,00 para a indicação de nome pelo PSC. O que você tem a dizer sobre isso?

De maneira totalmente deselegante, desrespeitosa e desconexa ás 11:11hs, o empresário Eliel Santos reconheceu o uso do nome de sua empresa. Tentou ainda macular a imagem do Portal Caso de Política o qual ele por diversas vezes se utilizou em caráter voluntarioso. Falou acerca de um acordo com o atual prefeito sem mencionar se a sua empresa passou por processo licitatório para fazer jus a recebimento de valores por parte da atual administração municipal.

Também não foi mencionado pelo empresário Eliel Santos se o mesmo pretende ingressar com ação na justiça para cobrar o recebimento de valores ao qual julga fazer direito.

Repercussão

Uma última informação que chegou enquanto formatávamos a matéria para publicação vem de um integrante da Associação de Pastores e Lideres Evangélicos de Formosa do Rio Preto (APLF) que entrou em contato com o Portal Caso de Política com a seguinte informação: Caso as denúncias sejam confirmadas, o Pastor Carlos Ronair e Elias Santos – membros da entidade – podem ser excluídos dos quadros da APLF.

Samuel da Retok deixa o PSC

Samuel da Retok disse que não admite esse tipo de comportamento e que está deixando o PSC por questões morais e que sempre teve uma vida baseada na honestidade e que presenciar aquele tipo de comportamento foi assustador.

“Saio do PSC para manter a minha honra e seriedade, não posso admitir a convivência política com pessoas que agem com comportamento reprovável como o que infelizmente presenciei. Vou buscar outro caminho e com a minha desfiliação ao PSC. Ressalto ainda que as ações foram tomadas sem o conhecimento do conjunto da direção do partido e de demais filiados e também alheio ao conhecimento da comunidade evangélica de Formosa do Rio Preto”.

Na conclusão de sua fala, Samuel da Retok disse ainda que “o perdão de Deus não está ligado à retirada de consequências que um ato incorreto pode trazer. Deus pode perdoar, mas não retira as consequências naturais dos atos”, declarou Samuel da Retok ao Repórter ABC.

Vale reforçar aqui que o repórter ABC democraticamente redigiu este presente texto jornalístico ouvindo todas as partes envolvidas coletando as suas respectivas declarações e também após de exaustivas análises no áudio recebido.

Outro ponto que vale aqui frisar, é que o Caso de política ao longo de seus quase oito anos de atividade tem atuado com imparcialidade no trato as questões ligadas aos assuntos atinentes a política local de Formosa do Rio Preto sempre noticiando matéria após rigorosa apuração dos fatos denunciando erros da administração pública, reconhecendo as boas ações e sempre atendo aos reclames sociais cumprindo desta forma o seu papel primário de ser os olhos da sociedade relatando fatos e acontecimentos.

Sempre se colocou indiscriminadamente a disposição de informes – sempre em caráter de utilidade pública – que apresentam caráter relevante a sociedade e das diversas instituições políticas e sociais sempre que procurado. Jornalista Luís Carlos Nunes – MTb 86845-SP

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