Agronegócio movimentou mais de 12 bilhões de reais em 2012 no Oeste da Bahia

Por Tiago Lira – Publicitário
Jornal Nova Fronteira
“A dinâmica do agronegócio ao longo das três últimas décadas fez com que a região experimentasse a atração de grandes investidores e fábricas. Isso exige uma mão de obra cada vez mais qualificada”, afirma Tiago Lira.


A região Oeste da Bahia, de acordo com o IBGE, é formada por 24 municípios e tem uma população de quase um milhão de habitantes. É conhecida no Brasil pelo forte e moderno agronegócio, que alavanca o desenvolvimento no campo, comércio e indústria.

Conforme a Secretaria de Agricultura, Pecuária, Irrigação, Reforma Agrária, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri), o Oeste possui uma área de mais de 1,7 milhões de hectares cultivados com soja, algodão, milho, café e outras culturas. Nessa região, também está localizado um dos maiores rebanhos bovinos da Bahia. São mais de dois milhões de cabeças. 
A dinâmica do agronegócio ao longo das três últimas décadas fez com que suas principais cidades: Barreiras, Formosa do Rio Preto, São Desidério e Luís Eduardo Magalhães e municípios menores experimentassem a atração de investidores, grandes fábricas, fortalecimento do comércio, faculdades e a prestação de novos serviços, que exigem cada vez mais mão de obra qualificada. 
“É preciso considerar a base econômica que engendra o agronegócio como um indicador crucial no tocante ao desdobramento de outras atividades na região Oeste da Bahia, a exemplo da ampliação do polo universitário que se intensifica em Barreiras há mais de uma década. Tanto o agronegócio quanto a educação universitária promovem divisas, por isso, o ideal é atuarem de forma coesa”, afirma o diretor acadêmico da faculdade São Francisco de Barreiras, Roberto Marden Lucena.
Todavia, o caminho para se chegar até esse patamar não foi fácil. Para ter um embasamento correto do contexto percorrido é preciso compreender que o Oeste está dividido em duas regiões muito distintas, a do Vale, margeada pelo Rio Grande, maior afluente do lado esquerdo do Rio São Francisco e a do Cerrado, que possui áreas planas favoráveis para a agricultura mecanizada/empresarial. Mesmo assim, até o final da década de 70, uma agricultura basicamente de subsistência atrelada à pecuária extensiva era realizada, e, somente no Vale. 
Luís Eduardo Magalhães, de acordo com o IBGE, possui a 10ª economia da Bahia, sua região é responsável por 60% da produção de grãos do estado
Entretanto, foi no Cerrado que a partir da década de 1980, com a chegada principalmente dos agricultores das regiões sul e sudeste, que se iniciou a formação da nova fronteira agrícola do Brasil.
A soja foi à primeira cultura implantada pelos agricultores sulistas, seguida também do arroz, milho, feijão, fruticultura, algodão e café, entre outras. A evolução destas ao longo dos anos é surpreendente. A região cresce mais do que a média do Brasil. 
O agronegócio em números no Oeste da Bahia
DESENVOLVIMENTO DAS CULTURAS – O levantamento realizado nas últimas duas décadas pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) comprova essa afirmação. A área de soja plantada em 1992/93 equivalia a 380 mil hectares, com produtividade média de 25,88 sacos por hectare. Na safra de 2011/12 a área plantada correspondeu a mais de 1 milhão de hectares, com uma produtividade média de 48,1 sacos por hectare. Em 1994/95 a área de café correspondia a 0,3 mil hectares gerando uma produtividade média de 16,7 sacos por hectare. Em 2011/12 essa área foi ampliada para 13.234 mil hectares com uma produtividade média de 43 sacos por hectare.
Em 2011 o Oeste respondeu por quase 30% da produção de fibra no Brasil e por mais de 2% da produção mundial
OURO BRANCO – Uma das culturas mais recentes, o algodão apelidado pelos agricultores de “ouro branco”, em 1995/96 ocupava uma área total de 2,4 mil hectares, com produtividade de 150 arrobas por hectare, nos anos de 2011/12 essa área aumentou para 385.532 hectares com uma produtividade média de 243 arrobas por hectare. Em 2011 o Oeste respondeu por quase 30% da produção de fibra no Brasil e por mais de 2% da produção mundial.
A soja foi à primeira cultura implantada pelos agricultores sulistas, seguida também do arroz, milho, feijão, fruticultura, algodão e café, entre outras
RECORDES – Como explicar esses recordes de produção? Conforme especialistas da área, alguns fatores naturais contribuíram, são eles: condição climática favorável, terras planas e recursos hídricos abundantes. Atrelado a isso, a utilização de tecnologia, insumos, sistemas de irrigação, mecanização da lavoura e pesquisa genética para o melhoramento e adaptação das culturas à região.
REFLEXOS NA ECONOMIA – De acordo com a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (Sei) o agronegócio cresceu 9,8% no Oeste baiano em 2011, enquanto no total do Estado esse indicador ficou em 2%. Toda cadeia do agronegócio movimentou, conforme anuário da Aiba, só em 2012, mais de 12 bilhões de reais na região Oeste.

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.