Análise sobre o ministro Barbosa e sua relação com a mídia

Análise interessante sobre a relação do ministro Joaquim Barbosa com a grande mídia foi publicado no Blog “Luiz Nassif on-line” em 07/09/2012. Reproduzimos a seguir, íntegra do texto, espero que apreciem. Boa leitura!

O ministro Joaquim Barbosa vem sendo criticado por muitos, pelo jeito duro com que vem tratando os réus da AP 470. Sem problemas, enquanto as críticas forem fundamentadas em bons argumentos.

Da mesma forma, vem sendo elogiado por tantos outros. Sem problemas, também, se os elogios não forem simples gesto de bajulação partidária, expressão de  ressentimentos e sentimentos de vingança.

Sabe-se, perfeitamente, que a grande imprensa nunca gostou de Joaquim Barbosa, e o ministro tem consciência de que ela sente por ele enorme desprezo.

Usando uma metáfora absolutamente piegas, poderíamos dizer que o amor atual é amor de carnaval, e que, logo logo, as coisas voltarão a ser como antes da quarta-feira de cinzas.

Joaquim Barbosa não está buscando holofotes, nem agradar partidos. Dependendo dele, desagradaria a todos.

Também a dureza com que trata os réus vem muito mais do seu estilo “procurador” do que qualquer sintoma relativo a seu passado (tanto críticos quanto bajuladores gostam de lembrar da infância difícil do ministro…) 

Ele lembra o quanto foi fortemente atacado, quando afrontou aquele que, à época, era o ministro mais querido da imprensa, Gilmar Mendes. O futuro presidente do Supremo sugeriu que Gilmar ignorava as ruas, falava para as mídias e tinha…capangas.

A pancadaria foi forte: Joaquim foi perseguido sistematicamente pela grande mídia. Assim como seria perseguido pela mesma grande imprensa, quando começaram a cobrar dele que acelerasse a relatoria da AP 470.

Daí em diante, Joaquim foi seguido até por paparazzi. 

O Estadão sugeriu que o ministro mentia quando alegava problemas de saúde. Noticou que o ministro tinha ido a uma festa de amigos, apesar da licença médica – uma acusação absolutamente despropositada do jornal paulista.

Folha e Globo lançaram matérias depreciativas, ressaltando o gênio forte de Joaquim ou seu modo duro de se referir aos colegas.

A revista Veja também escalaria seus blogueiros para, naquela educação que lhes falta, achincalhar o magistrado.

Joaquim sofreu na pele o que tradicionalmente é atribuído aos negros desse pais: insinuaram que era um beberrão, um preguiçoso, um incompetente e um criador de casos (Como as coisas mudam: hoje é visto, por aqueles mesmos veículos, como sério, dedicado, rigoroso e salvador do Judiciário. Gregório de Matos ri no túmulo).

Joaquim Barbosa reagiu seriamente: atacou os “fabricantes de escãndalos”, assim como reagiu recentemente quando atribuíram a ele, na mídia, mudanças na ordem prevista para o julgamento.

Caso Mensalão Tucano

O ministro não pode ser considerado um cooptado pela mídia, defeito grave já atribuído a Ayres Britto, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello.

E sabe que a mídia que o condenou antes o condenará no futuro, se conseguir colocar em julgamento o mensalão tucano. Recentemente, ironizou a “falta de interesse” da imprensa pelo caso – e afirmou, coisa grave, que o STF colocara dificuldades para julgar o processo, o qual acredita era mais urgente que o atual.

Ele foi o único ministro até agora que admitiu que os dois processos teriam que ser julgados juntos. Não há justiça maior nesta convicção.

À época do pedido de vistas de Dias Toffoli, em 2009, Joaquim sugeriu que recomendará a condenação do senador do PSDB Eduardo Azeredo por lavagem de dinheiro (ver matéria aqui) Se conseguir, toda bajulação desaparecerá em instantes. Isto se não quiserem, antes, impedi-lo de assumir a Presidência do STF em novembro.

Por isso diz que é apenas um “barnabé”, não heroi. Os herois contemporâneos dependem da força da mídia. Mas ele sabe, parafraseando a linda música de João Bosco, da “faca oculta na mão da imprensa” que agora o acaricia.

Joaquim não é muito simpático a advogados de defesa, sabe-se. E, pelo jeito, não é nem simpático aos próprios ministros e ex-ministros do STF: já se estranhou com Maurício Correa (já fora do STF), Mello, Toffoli, Eros Grau, Peluso, Lewandowiski, além do próprio Gilmar.

Não é simpático à mídia, a partidos políticos, a bajuladores nem a críticos. Jeito dele. Independente. Muito turrão. Meio insensível quando está cego às suas convicções.

Pode estar sendo severo, até além da conta, na ânsia de condenar pessoas, mesmo sem provas incontestáveis – como no caso da ex-vice-presidente do Banco Rural, Ayanna Tenório, absolvida por ampla maioria.

Mas ser severo é menos grave do que ser cooptado pela imprensa, manter capangas, usar o Supremo para ganhos fáceis, ser partidário ou não ser independente.
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