Choque de gestão, por Clóvis Volpi.

De expressão forte e impactante “choque de gestão” virou sinônimo de capacidade de gestores em transformar o negativo em positivo num piscar de olhos.

Esse sentimento tem validade na empresa privada onde o objetivo final é o lucro e seus gestores são escolhidos por capacidade de análise e efetivação das ações necessárias para obtenção desse feito “lucro”.

Na pública, seja ela administração direta ou de seus agregados (empresas públicas), o sentimento pode ser o mesmo até o quesito análise, mas para chegar à efetivação dependerá muito de fatores políticos que nem sempre são lógicos e de mesmo princípio, até porque não há o lucro, mas sim o resultado das próximas urnas. O lucro é o voto futuro.

O choque de gestão na administração pública passa primeiro pelo princípio do vencedor na eleição e do executivo. Ele deverá se perguntar porque disputou a eleição e após vencer o que poderá fazer agora e de bom para ser um bom governante (é nele que começa o choque de gestão).

De atitudes e princípios de bom gestor à execução dependerá muito, mas muito mesmo de, quais foram seus apoiadores políticos e qual a formação intelectual dos secretários e seus princípios. Fica claro que choque de gestão não se fará sem um corpo diretivo competente e dos mesmos princípios e fundamentos do gestor-mor.

Acordos pré-eleição e composições futuras não darão ao gestor nenhuma garantia de sucesso, até porque na área pública os que vem para dentro do governo com indicação partidária ou de grupos tendem a governar para fora e para seus padrinhos e não para dentro onde está o princípio de governança central.

O choque de gestão na vida pública exige mais que análise, conhecimento, técnica, etc.  Exige coragem para impor o princípio de gestão sadia aos municípios e esse será o legado final. O choque de gestão no público não pode ser genérico e de uma só vez. É preciso escalonar prioridades e atuar diretamente nelas e diante da crise atual o ideal é iniciar por Finanças, saúde e educação.

Nesse momento, uma controladoria com poderes para dizer sim e não sobre propostas que possam quebrar o objetivo do gestor será de extrema importância.

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