Clóvis Volpi embarca no Patriotas em apoio a Jair Bolsonaro.

O ex-prefeito de Ribeirão Pires assinou na última terça-feira (05) a sua filiação no partido “Patriotas”, sigla esta que tem como foco o lançamento da candidatura do deputado estadual Jair Bolsonaro a presidência da república.

Segundo nos disse Volpi em contato telefônico, “o seu objetivo não é ser candidato nas próximas eleições, mas sim organizar o partido em São Paulo e ser um dos coordenadores nacionais da campanha de Bolsonaro”.

Em sua biografia política, é cunhado que Clóvis Volpi exerceu cargo de vereador de Mauá de 1983 a 1988 e de 1993 a 1994. Nesse último ano elegeu-se deputado estadual pelo PSDB (02/1995 à 10/1998) onde foi presidente da Assembleia Legislativa. Concorreu a deputado federal por São Paulo na legenda do PSDB onde obteve uma suplência. Deixou a Assembleia Legislativa de São Paulo em janeiro de 1999 e em agosto assumiu a vaga na Câmara dos Deputados. Em 2001, filiou-se ao Partido Verde (PV). Permaneceu na Câmara até janeiro de 2002, quando retornou o titular da vaga. No pleito de 2004, elegeu-se prefeito de Ribeirão Pires (SP) pelo PV. Reelegeu-se em 2008. Em maio de 2009, assumiu a presidência do PV de Ribeirão Pires. Foi secretário adjunto de Esporte, Lazer e Juventude e presidente do Inmetro, ambos no governo de Geraldo Alckmin (PSDB).

Sua última eleitoral no ano de 2016, foi surpresa obtendo 37.065 votos galgando a terceira colocação. No segundo turno, apoiou o candidato do PT, Donisete Braga.

Volpi avalia Bolsonaro como um candidato preparado. “ Ele (Bolsonaro) tem cinco mandatos como deputado federal, não é um ignorante. Essas polêmicas não representam quem seja ele de fato. Tem bons projetos para Saúde, Educação e Cultura. Está estigmatizado pelos seus exageros e evidentemente que essa postura (de extrema direita) é dele, porque leva o princípio da rigidez. Ele tem o melhor discurso dentre os candidatos colocados atualmente”, disse.

Porque Bolsonaro nunca será eleito Presidente do Brasil, segundo o teorema do Eleitor Mediano 

Bolsonaro terá que parar de falar besteiras para conquistar o Eleitor Mediano. Mas, quando parar, irá falar sobre o que?”

Imagine uma praia com 2 quilômetros de extensão. Em cada ponta da praia, há um sorveteiro. Cada um deles vende para os seus consumidores, que gostam do fato de não ter que andar muito para comprar sorvetes. Além disso, os produtos vendidos pelos sorveteiros são personalizados, pois conhecem muito bem cada uma das preferências de seus fiéis consumidores.

Contudo, um deles, que fica à esquerda da praia, percebeu que se ele fosse em direção ao centro, ele poderia aumentar o número de clientes, mesmo que os que ficavam na ponta esquerda tenham que abdicar do seu conforto e andar um pouco mais para adquirir um gelado! O que fica na direita, sabendo da estratégia deliberada do seu concorrente, também começou a caminhar em direção ao centro, abocanhando mais amantes de picolé! No final, os dois se encontraram no centro da praia, disputando cliente a cliente e buscando ganhá-los prometendo a melhor paleta mexicana da praia! No final, o sorvete dois era muito parecido e pouco importava de qual comprar!

A semelhança com a realidade política, mas sem sorvetes

A história acima normalmente é contada para ilustrar um teorema famoso no estudo da ciência política: o caso do eleitor mediano. Misturando o ensino de Teoria dos Jogos e Probabilidade Estatística, o teorema do Eleitor Mediano, ideia criada pelo economista político Anthony Downs, diz que em um eleitorado distribuído de forma normal ao longo de uma dada escala de preferências (por exemplo, o eixo esquerda­direita), tende a vencer a eleição quem conquistar o voto de um hipotético “eleitor mediano”.

Esse “eleitor mediano” tem metade dos votantes à sua direta, outra metade à sua esquerda. Na disputa entre um concorrente de esquerda e outro de direita, resumidamente, cada um já teria garantidos os eleitores do seu lado do espectro ideológico e, portanto, faltaria a ele conquistar apenas mais um voto para ter a maioria. O voto decisivo seria o do eleitor mediano. Quem cativasse esse votante hipotético, ganharia a eleição. Por essa razão, há uma tendência dos partidos à esquerda e à direita de rumar para o centro.

Nessa lógica, nenhum candidato ficaria nas posições 1-4, tampouco na 7-10; estas são ditas estratégias dominadas. Ver a fonte clicando aqui.

É claro que esse é um modelo apenas introdutório dentro das ciências políticas, pois não leva em consideração outros aspectos como: caráter do candidato; histórico de um partido; a capacidade de gerar confiança no eleitor; possibilidade de não votar ou guinadas e radicalismos ideológicos momentâneos na sociedade votante.

Como dito, o modelo apresentado é apenas teórico, uma abstração da realidade. Mas a semelhança com os políticos brasileiros não é mera coincidência… Lembrou de alguém?

E o Bolsonaro? Onde entra nessa história?

Com o aprofundamento da crise política e consequentemente da crise econômica, e ainda com um vácuo aparente de lideranças no ambiente político, surgem políticos nos extremos ideológicos, tanto os de esquerda como os de direita. Neste último espectro, lembra-se quase que automaticamente de Jair Bolsonaro, deputado federal pelo PSC-RJ, defensor ferrenho da liberdade de defesa do cidadão e do combate à impunidade e crítico dos governos do PT e das ideias de cunho social.

Em seu voto no processo de Impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, Bolsonaro parabenizou o (agora afastado) presidente da Câmara Eduardo Cunha e dedicou seu voto ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do DOI-Codi em São Paulo, órgão de repressão política que foi palco de torturas e violentas mortes durante o regime militar.

Colecionando opiniões controversas e discursos inflamados, Jair Bolsonaro foi alçado a presidenciável para 2018. Na última pesquisa eleitoral, feita pelo IBOPE em outubro/2017, Bolsonaro conta com 13% dos votos no melhor cenário. Em levantamento anterior realizado em setembro pelo Datafolha, Bolsonaro tinha 16%. Assim, ele certamente tem abocanhado os votos dos eleitores do campo 10 e alguns do 9 da imagem acima, mas tem dificuldade de se aproximar dos outros eleitores, quem dirá do eleitor mediano! Sua mobilidade e transito é limitada. Para aumentar a quantidade de votos, Bolsonaro terá que amainar o discurso totalitário, contra mulheres, LGBT’s, e negros, por exemplo, e caminhar alguns passos para o centro do espectro político. Um “intensivão” sobre economia, oratória, meio ambiente é claro, se quiser algum dia ganhar disputa eleitoral para cargo executivo. Nos debates, as pressões serão grandes!

Se você, estimado leitor, ainda continua apreensivo com os que clamam por Bolsonaro na presidência, fique tranquilo. O eleitor mediano é quem decide a eleição, e ele, hoje, não suporta o discurso do deputado de ultra-direita.

Assim, Bolsonaro nunca será eleito para o cargo máximo da República Brasileira. Pelo menos, não com esse discurso.

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