Está na mesa – Sopa de Letrinhas

Por Luís Carlos – fontes: CEOF/SAD/TSE

O ano era 1989. Eu, um adolescente de 16 anos afoito com meu título na mão querendo depositar meu primeiro voto.
Vinte e dois anos se passaram e o Brasil vive a expectativa de ruptura importante no quadro partidário, patrocinada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). Líder de um grupo que pode vir a dar origem ao PDB – “Partido da Decepção Brasileira”.

A partir de agora, nada de somente PT, PSDB, DEM ou PMDB reinarem na Pátria Amada Brasil. Para bem lhe atender, não é mais necessário consultar o cardápio, o prato, goela abaixo,  é sim a “Sopa de Letrinhas!!!”

Num futuro bem próximo, eleitores mais à direita poderão votar no MIB (Movimento Integralista Brasileiro), os mais rebeldes esquerdistas terão a possibilidade de optar pela LBI (Liga Bolchevique Internacionalista) ou pelo PCR (Partido Comunista Revolucionário). Os de espírito mais alternativo poderão depositar suas esperanças no Partido Pirata. Se o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovar a fundação das novas legendas, o Brasil pode chegar a 58 partidos, ante os 27 que existem atualmente. Trinta e uma novas agremiações aguardam a oportunidade de se tornar partidos.

Li um texto num blog da região oeste da Bahia com o seguinte título: “O QUE HÁ ENTRE KASSAB, OTTO E ZITO?
A resposta é a seguinte: tudo e nada. O que há em comum é a ambições de se perpetuar no poder. Em que ,os pensamentos empoeirados e saudosistas da “Memória das Trevas” podem acrescentar? Em que, novos partidos melhoram a vida das pessoas? Só conheço uma coisa dentro da política ideológica, o “Santo e Sagrado Trino”. Esquerda, centro e direita. Tem mais que isso? O resto é balela!!!

Voltando ao prato frio, os partidos políticos estão cada vez mais afastados da sociedade civil e a principal questão que se coloca ao cidadão eleitor será descobrir quem, dentro dessa cumbuca “sopídica letral”, tem propósitos de realmente representar setores da sociedade. E quem pretende comerciar seu espaço na TV e no rádio para partidos maiores ou se tornarem simpáticos e dóceis “papagaios de pirata“, encarregando-se de atacar rivais na defesa de interesses de terceiros, em troca de cargos ou dinheiro.

Já temos um número exagerado de legendas, o que distorce o debate eleitoral e dá margem para todo tipo de negociações espúrias, alienígenas e sem sal.

Em pratos frios, é legítimo que a sociedade seja representada nos partidos por suas ideologias, na prática não é isso que ocorre. Muitos estão aí simplesmente para reforçar o fisiologismo e a partilha de recursos do Fundo Partidário.

Os novos partidos que venham a conseguir registro terão direito a dividir R$ 221.126.289,16 do Fundo Partidário (ver tabela abaixo), dinheiro que é repassado às legendas e ainda dispor de exposição na mídia apresentando falácias e dizeres.

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