Formosa: Pequena história de coragem, por João Neder*

Para quem não acredita que o pombo-correio, uma raça especial dos columbídeos, é capaz de façanhas extraordinárias, vou contar uma pequena história desta ave que, para mim, é a oitava maravilha do mundo moderno.
No sábado passado, 31 de agosto, foram soltos na cidade de Formosa do Rio Preto, na Bahia, 378 pombos-correio disputando o Campeonato de Fundo, ou seja: 760 km em distância aérea até Goiânia, em disputa de competição válida para a Federação Columbófila Brasileira.
As informações que tinha sobre a região a ser percorrida pelos pombos era de terras sem água nem mesmo de córregos, cheia de escarpas de pedras, aí incluída a Chapada dos Veadeiros, onde as aves de rapina – gaviões de várias espécies, vivem da caça até mesmo de pombas selvagens, tudo formando um conjunto inóspito para os pombos-correio postos em concurso.
O dia estava quente, umidade do ar muito baixa, os raios ultravioletas castigando, mas a prova tivera início às 6h23 daquela dia 31 de agosto, com solto dos pombos dos columbófilos da Grande Goiânia.
Como participante do certame, inscrevi 30 dos meus melhores pombos-correio, sempre na esperança de vencer a duríssima competição, pois as notícias de outras competições anteriores por esse Brasil afora não foram bem-sucedidas e tudo conspirava contra o bom êxito da nossa competição.
Pelos cálculos dos colegas columbófilos, adversários na ocasião, os pombos deveriam regressar a Goiânia ali por volta das 16 horas ou, quando muito, às 17 horas, de sábado 31; ou seja, no mesmo dia da solta em Formosa do Rio Preto.
A tarde já cedia para esconder o sol, o relógio já virava para 18 horas e minutos e nenhum pombo havia chegado nos pombais dos competidores ansiosos, foi que às 18 horas e 17 minutos, já quase na penumbra, que a minha atlética pomba “Valentina”, anel número 1052010/2011, pousou na entrada eletrônica do meu pombal, enchendo meu peito de emoção, marcando uma vitória espetacular, sendo a única participante a regressar no mesmo dia, percorrendo os 760 km em  pouco mais de 12 horas, vencendo tantos obstáculos com determinação e coragem.
Pois é, diante dessa façanha da “Valentina”, ainda tem gente que me pergunta: por que você gosta tanto desses pombos? Aí está a resposta.
*João Neder, jornalista, advogado criminalista, promotor de Justiça aposentado e columbófilo há mais de 70 anos

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