Internet – A revolução anunciada?

Nada foi tão poderoso e revolucionário quanto a escrita. Ela causou modificações sem precedentes em nossa sociedade.
 
Foi através da escrita, que se pode organizar todo o raciocínio e a compreensão do mundo. Surgiram a fala, a matemática, a ciência, a informática e por fim, uma nova linguagem, a Internet…
 
A televisão mostra aquilo que não podemos ver fisicamente, mas através dela, como uma extensão de nossos olhos. O rádio trouxe as notícias das quais não tínhamos conhecimento, como uma extensão dos nossos ouvidos. O telefone nos permitiu levar a voz a uma distância infinitamente maior do que jamais se havia sonhado. E assim, cada mídia representou uma extensão de uma capacidade natural dos seres humanos.
 
A Internet, no entanto, proporciona a extensão de várias capacidades naturais. Não apenas podemos ver as coisas que nossos olhos naturalmente não vêem, mas podemos interagir com elas, tocá-las em sua realidade virtual, construir nossos próprios raciocínios não lineares em cima da informação, ouvir aquilo que desejamos, conversar com quem não conhecemos, divulgar nossas ideias. Fundamentalmente, podemos interagir com o que quisermos.
 
Além disso, a Internet apresenta uma convergência de mídias. No computador já é possível assistir televisão, ouvir rádio ou ler jornal, livros… Enfim, todas as mídias tradicionais em uma única. Logo, enquanto usuários da Rede, cada indivíduo é um emissor massivo em potencial. Pode difundir mensagens e ideias através de e-mail, chats ou mesmo em listas de discussão, websites e blogs. Pode difundir sua música através da gravação da mesma em um formato que seja manipulável através da  internet. Pode gravar um vídeo em uma câmera digital ou celular e divulgá-lo. Enfim, as possibilidades são inúmeras. Cada indivíduo é um emissor e um receptor simultaneamente na Web.
 
Uma das características mais marcantes da influência de um meio de comunicação nas sociedades é a reconfiguração dos espaços percebidos por esta sociedade. Isso porque a comunicação reduz as distâncias e permite que as pessoas aproximem-se. Não em uma perspectiva física, obviamente, mas em uma perspectiva de percepção. Com a Internet essas distâncias tornam-se mínimas. Isso porque agora não é só possível apenas ter “acesso” a informações de lugares distantes. É possível também alterá-las, confronta-las e reformulalas.
 
Além disso, a organização da própria informação no ciberespaço faz com que a noção de território que permeou nossas ideias por séculos seja atropelada.
 
A Internet propicia uma comunicação entre muitos e para muitos. A internet é ferramenta poderosa que pode proporcionar um futuro democrático para a humanidade. Oras, a ideia da “democracia eletrônica” não é de todo impossível e utópica. Se de um lado a Web oferece efetivamente a chance, ao cidadão comum, de articular-se com outras pessoas através de seus campos de interesse, de outro, este acesso ainda é um tanto o quanto restrito e mal utilizado. E a ideia tem recebido críticas ferrenhas, estruturadas sobre dois aspectos fundamentais: a Internet como fruto do capitalismo não poderia opor-se a ele; e o acesso a Internet não é democrático, especialmente para um país do chamado Terceiro Mundo, como é o caso do Brasil.
 
O que realmente nos indigna, é que, mesmo com todo esse potencial de promoção de um mundo melhor, a inércia impera.
 
Vê-se uma juventude ainda engajada em antigas formas de luta, não que não sejam válidas. Precisamos parar de lutar com os galhos, é preciso ampliar nossas visões. O foco deve ser a raiz do problema, e nada como a informação, nada como agirmos como formiguinhas, produzindo textos, vídeos, fotos e divulga-los através de sites e blogs.
 
A sociedade, principalmente a juventude, precisa despertar do sono da ingenuidade.
Pouco adianta nos tempos atuais, ficar jogando pedras na Rede Globo e na grande mídia. Um pequeno grupo articulado com o mesmo objetivo pode sim colaborar para as transformações necessária na sociedade, buscando democracia e uma distribuição de renda que seja menos ampla entre elas.

Resta saber ainda o quanto essa revolução (internet) poderá atingir o nosso futuro. Só depende de nós.

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