Morre o físico Britânico Stephen Hawking.

Um dos maiores cientistas de sua geração, o físico britânico Stephen Hawking, de 76 anos, morreu na noite desta terça-feira; informação foi dada por um porta-voz da família; até o momento ainda não se sabe a causa de sua morte

Da Sputnik Brasil

O físico britânico Stephen Hawking, de 76 anos, morreu na noite desta terça-feira. A informação foi dada por um porta-voz da família. Até o momento ainda não se sabe a causa de sua morte.

“Estamos profundamente entristecidos pelo fato de o nosso amado pai ter morrido. Ele foi um grande cientista e um extraordinário homem cujo trabalho e legado viverão por muitos anos”, escreveram Lucy, Robert e Tim, filhos de Hawking.

Físico teórico, cosmólogo, autor e diretor de pesquisa do Centro de Cosmologia Teórica da Universidade de Cambridge. Seus trabalhos científicos incluem uma colaboração com Roger Penrose sobre teoremas de singularidade gravitacional no quadro da relatividade geral e a previsão teórica de que os buracos negros emitem radiação, muitas vezes chamado de radiação Hawking.

Hawking foi o primeiro a estabelecer uma teoria da cosmologia explicada por uma união da teoria geral da relatividade e da mecânica quântica. Ele é um partidário vigoroso da interpretação de múltiplos mundos da mecânica quântica.

Hawking teve uma forma rara de início precoce, progressiva, de esclerose lateral amiotrófica (ELA) que gradualmente o paralisou ao longo das décadas. Hawking surpreendeu médicos em todo o mundo, enquanto vivia apesar da doença que geralmente leva à morte dentro de anos. O diagnóstico da doença foi feito quando ele tinha 21 anos.

Os filhos ressaltaram sua “coragem e persistência” e seu “brilhantismo e humor”.

“Uma vez, ele disse: ‘O Universo não seria grande coisa se não fosse o lar das pessoas que você ama.’ Nós sentiremos sua falta para sempre”, escreveram.

O lado humano de Stephen Hawking

Pela primeira vez, – final de 2017) – a Universidade de Cambridge disponibilizou a tese de doutoramento de Stephen Hawking, defendida em 1966, intitulada Properties of expanding universes. Tal publicação levou à quebra do site da instituição, devido ao intenso número de visitantes que procurava aceder ao primeiro grande manuscrito daquele que é hoje um dos maiores ícones da ciência. Professor Lucasiano da mesma Universidade (cargo máximo atribuído pela instituição no que diz respeito à docência da Matemática) entre 1979 e 2009, a história de vida e o contributo científico de Stephen Hawking quase que dispensam apresentações. Uma referência para a ciência enquanto físico teórico e cosmólogo, bem como para a humanidade enquanto pessoa e lutador contra a esclerose lateral amiotrófica, a procura massiva e o crash do site da instituição justificam-se pelo facto de um dos maiores físicos e mais brilhantes carismáticos físicos contemporâneos que se doutorou com apenas 24 anos.

Seria expectável o efeito gerado pela divulgação da tese de Stephen Hawking. Na altura em que se preparava para terminar o seu doutoramento, já lhe teria sido diagnosticado a doença que o marcaria para toda a vida e que posteriormente o deixaria preso a uma cadeira de rodas comunicando através de um computador. A verdade é que Stephen Hawking contrariou tudo e todos, até mesmo os médicos que apenas lhe davam apenas mais uns meros anos de vida. No famoso livro A Minha Breve História e no filme A Teoria de Tudo, constam bem as dificuldades que Stephen Hawking encontrou para acabar a tese que lhe valeria o grau de Doutor. A sua vasta obra de divulgação científica contagiou aqueles que procuraram saber mais sobre a ciência e também sobre a história de vida deste físico. Hoje, com 75 anos completados em Fevereiro, Stephen Hawking não pretende parar e a divulgação da sua tese de doutoramento passados mais de 50 anos é a prova disso. São 134 as páginas que marcam o primeiro grande feito na carreira científica de Stephen Hawking. O próprio pretende, com o acesso livre ao seu manuscrito, “Inspirar as pessoas ao redor do mundo a procurar as estrelas e não a seus pés; para se perguntar sobre o nosso lugar no universo e para tentar fazer sentido do cosmos.” dizendo ainda que “Qualquer um, em qualquer lugar do mundo, deve ter acesso livre e sem obstáculos a todas as grandes pesquisa e ideias no espectro da compreensão humana.” Com isto Stephen Hawking pretende assim continuar a inspirar pessoas divulgando o seu trabalho e as suas ideias.

Esta é mais uma prova de que Stephen Hawking, mais do que um cientista, pretende assumir-se acima de tudo como ser humano. Ateu convicto, pois segundo o próprio “o universo é governado pelas leis da ciência que até podem ter um criador mas esse mesmo criador nunca terá o poder para refutar tais leis” e também porque “se Deus existisse não teria necessidade de criar Universos diferentes”, a sua contribuição enquanto físico, matemático e cosmólogo valeu-lhe inúmeros prémios e condecorações. O próprio tem ainda um astro com o seu nome: o asteroide 7672 Hawking situado na cintura de asteróides. Destacam-se ainda as principais publicações de divulgação científica como Uma Breve História do Tempo, O Universo numa Casca de Noz, Uma Nova História do Tempo ou ainda O Grande Desígnio. O lado humano de Stephen Hawking é de tal grandiosidade que este permitiu que a sua voz computacional estivesse presente em canções como Keep Talking dos Pink Floyd bem como em episódios de diversas séries com The Simpsons, Futurama ou a famosa série The Big Bang Theory, tudo sob sua autorização e consentimento, permitindo até que fosse possível alguma brincadeira com a sua impossibilidade motora tudo isto dentro dos limites. Stephen Hawking demonstra assim mais uma vez, ao divulgar a sua tese de doutoramento publicamente, que as suas qualidades em quanto ser humano se elevam acima de todas as suas outras e que é possível ser-se cientista e ter ao mesmo tempo um enorme lado humano. Porque é nesse lado humano que se conseguem encontrar os verdadeiros cientistas.

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