Nossas cidades são imagem da civilização que temos. por Dom Pedro Carlos Cipollini.

Dom Pedro Carlos Cipollini

De um lado a maravilha da técnica e dos dispositivos que favorecem o bem viver. De outro lado a miséria e o descaso com a vida. Apartamentos, casas, estabelecimentos comerciais, cafés, galerias de arte, teatros de um lado, de outro, o corre-corre para pegar ônibus lotados, mendigos, vendedores ambulantes, favelas e moradores de rua. Muitas pessoas vindas de lugares distantes descobriram que estar nas ruas, pode render seu sustento.

A globalização e a difusão da tecnologia da informação intensificaram o processo de urbanização, atraindo pessoas para as cidades que concentram as atividades econômicas. A maior parte de nossa população mora nas cidades. Diante deste quadro de riqueza e miséria, perguntamos se há solução para os problemas urbanos. Onde dormirão os pobres e desempregados em especial neste inverno que começa intenso.

As cidades continuarão a crescer com o avanço da globalização, porém, serão cada vez mais caóticas se não houver a globalização da solidariedade.

Com um esforço sério na administração pública, o combate à corrupção, metas claras e competência, ouvindo os anseios da população, é possível solucionar os problemas da cidade desde que o ser humano seja prioridade.

A solução dos problemas urbanos, como: moradia, trabalho, transporte, educação, segurança, passa pela  solidariedade e honestidade tanto dos cidadãos comuns como dos que governam. É preciso fazer a cooperação entre as pessoas superar a competição.

Aprimorar laços familiares, porque, em um ambiente acelerado como o as cidades, a família é um porto seguro de apoio e convivência, porque são laços afetivos duradouros em meio a relacionamentos curtos e parciais.

A Bíblia fala da cidade de Babilônia, sinal da confusão e desentendimento (cf. Gn cap. 9) e no final, fala da Jerusalém Celeste, concretização do sonho de Deus e da Humanidade (cf. Ap cap. 22). Esta é a cidade ideal, na qual Deus habita em meio aos cidadãos, como uma luz essencial que tudo ilumina e vivifica. Hoje, coexistem as duas cidades.

Egoísmo e concentração de renda de um lado e de outro a solidariedade, o amor e partilha. A Jerusalém Celeste vai prevalecer, Deus está comprometido com ela.

“Deus está presente na cidade” (cf. DAp n. 214), esta presença nos ajuda a superar a “cultura do descarte” e adotar a “cultura da inclusão”. O papa Francisco escreve: “O específico do cristianismo é conceber-se como fermento na massa. Isto equivale a sentir-se premiado por um Deus que já está vivendo na cidade, vitalmente misturado e unido a todos e cada um”.

Em nossa realidade existem gestos que confirmam esta realidade, como o da menina Catarina, que oferece café aos coletores de lixo que trabalham na noite fria da cidade (cf. Diário – Setecidades – 20.6.2016 p. 9).

Gestos assim de respeito e carinho em meio à indiferença e preconceito, mostram que Deus habita a cidade através das pessoas que fazem o bem. Que nossas cidades caminhem nesta direção, construindo a “Jerusalém Celeste” em nosso meio. O olhar da fé descobre e cria uma cidade renovada na presença de Deus que nela mora.

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