O Carnaval e um grito de protesto

Não são todos que gostam da festa momesca. Prova disso está num grupo de jovens que todas as tardes se reunem na Praça das Corujas, centro de Barreiras. São Punk’s que se auto intitulam “Anarquistas”.
A redação do Caminho do Oeste, conversou com esse pequeno grupo que em pleno carnaval, e na terra do Axé, heroicamente, como eles mesmos dizem, “arrotam seus protestos.
Leia a seguir,  os depoimentos que registramos de 2 de seus integrantes.

Fotos e entrevista – Luís Carlos

Allysson, também conhecido como “Guariba”, tem 22 anos e é estudante de direito.
Najla, 17 anos, é secretária em uma  faculdade de letras.


CO – Vocês não acham uma contradição ser Punk na Bahia e ainda mais numa cidade do interior?

Allysson
– Não existe contradição alguma por nossa parte. Contraditória é essa sociedade preconceituosa.

CO
– Preconceito? Vocês já sofreram algum?

Najla
– Sim, e não foram poucos! Somos um movimento autônomo e avesso ao modismo. Por falta de alternativas, a praça das corujas virou nosso point. Somos marginalizados, muitos não aceitam por sermos como somos. Gostamos de roupas pretas, nosso som é pesado, e são de protesto. Por diversas vezes a polícia nos revista, nos marginaliza.

CO
– Allysson, você se auto intitula “Anarquistas” , não existe contradição em você ser estudante de direito?

Allysson
– A sim, passo por conflitos internos, porém, já que vivemos em sociedade, vejo o direito como um ponto vasto no mundo do conhecimento. Foi através do estudo que aprendi que podemos sim, sermos o que quisermos e como quisermos.

CO
– Me falem um pouco mais sobre vocês e o movimento Punk de Barreiras
Allysson – Somos todos jovens, porém somos conscientes da imundice que é nossa sociedade. Ela é suja!

Najla – Somos rebeldes com causa, abominamos drogas, somos avessos ao crescimento econômico individual das pessoas. Tudo deve ser de todos, e ao mesmo tempo nada é de ninguém.

Allysson – Nosso movimento está espalhado por toda a região e é forte. Tem Punk em Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Santa Maria da Vitória, Cotegipe, Correntina e Cristópolis.

CO – Estamos em pleno Carnaval, o que vocês acham dessa festa?

Allysson – Esses 4 ou 5 dias são de muita revolta e perturbação, o que vejo são idiotas alienados pulando, enquanto isso, uma minoria lucra alto com esse mercado da imbecilidade e da futilidade que alimenta a desgraça de um povo que se mata uns aos outros.
Já fomos chamados de gangue pela grande mídia local (gangue de preto), são ignorantes os que pensam assim. Somos um movimento social liberto e independente desse sistema burguês.

Uma resposta para O Carnaval e um grito de protesto

  1. The wild one! disse:

    OWw Carlos, muito boa a postagem, Obrigado mesmo pela força! Estaremos sempre firmes para o que vier.
    Qualquer coisa conte conosco!
    abraço.

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