O meu escrever é pra você! Por Luís Carlos Nunes.

Por que diabos alguém, algum dia, decidiu escrever num jornal o que tinha acontecido em algum lugar? Por que essa pessoa decidiu publicar e distribuir essa informação? Decerto não há de ter sido para se satisfazer pessoalmente, mas para levar essa informação a outras pessoas.

Lembro-me de minha adolescência, lá pelos meus 14 ou 15 anos, quando lá na Freguesia do Ó, onde nasci e me criei, juntamente com amigos – hoje quase todos carecas e barrigudos – decidimos tomar uma atitude “radical”. Decidimos criar o “Melados de Cola” em pleno movimento “Punk da Periferia”, Carecas do ABC, Góticos e Heavy Metal’s. Sim, o Fanzine Melados de Cola, com o único objetivo de levar as ideias de nossa “tribo” reunindo poesias e nossos eventos de Rock e festinhas Punk.

A ideia era fantástica, tudo partia de escrevermos em qualquer papel, recortar o texto, juntar a desenhos que nós mesmos fazíamos colar num outro papel e depois xerocar. Sensacional! Depois era só distribuir ou colar nos postes do bairro com uma goma feita com farinha de trigo e soda cáustica. Fizemos fama e influenciamos outros grupos que começaram a nos copiar produzindo os seus próprios Fanzines para divulgarem também as suas ideias. Fantástico isso! Muitas vezes não tínhamos dinheiro para as impressões, mas sempre fazíamos “vaquinhas” e tudo acontecia, as ideias fluíam por mais absurdas e inocentes parecessem, elas eram difundidas.

Passou-se o tempo, as rugas surgiram e por acaso eis-me aqui eu na continuidade e na labuta de escrever, formar e informar leitores e cabeças.

Depois desse tempo todo, com jornal de notícias, mais de 15 anos atuando como blogueiro, chego a uma importante conclusão: “Quem escreve em um jornal, não escreve para si, escreve para os outros lerem. A forma certa de fazer isso não existe, embora nós a discutamos cotidianamente, entusiasticamente – discussão, aliás, que só enriquece o ser. Não importa de esquerda ou de direita, se policial ou política, se acha que tem que ouvir uma fonte ou outra ou ainda nenhuma, isso são vertentes. Mas o principal é que qualquer um que defenda qualquer uma dessas vertentes escreve para alguém, para o outro, não para si. Escreve para transmitir alguma coisa para alguém. E isso é maravilhoso, é fascinante, é o que tanto me encanta. Escrever, escrever, escrever… noticiar! Sem a pretensão de querer agradar a “Gregos e Baianos”, assumimos a nobre missão de proporcionar reações das mais diversas com plena consciência e responsabilidade de noticiar, comunicar, reportar…

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