O político, a vaidade e a Urbe. Por Luís Carlos Nunes

O ser político – na assepsia da palavra – é aquele que participa e vive ativamente a polis. Entende a política como uma ciência, uma arte, utilizando-a como meio para se fazer o bem comum, acolhendo os mais vulneráveis, promovendo o desenvolvimento social, econômico e o ambiental sustentável.

A vaidade é um princípio de corrupção (Machado de Assis).

A Vaidade: 1 Qualidade do que é vão, inútil, sem solidez nem duração. 2 Fatuidade; ostentação. 3 Sentimento de grande valorização que alguém tem em relação a si próprio. 4 Futilidade (Dicionário Aurélio online).

‘Políticos’ que se enveredarem pelo campo da política, inebriados por projetos pessoais ou de grupos excludentes, que visam tão somente o status e as benesses que o cargo proporciona, além de sinalizarem para perigosa vaidade elevada à potência máxima, denotam também a mais pura e simples corrupção do ser na essência.

Um projeto político vaidoso, eleito, não muda realidades, não redistribui riquezas, não eleva o nível da educação, não melhora a qualidade dos serviços em saúde, não transforma para melhor a cidade em que vivemos. Ao contrário, tem a capacidade de piorar tudo e dificultar ainda mais a vida do cidadão, particularmente daquele que mais necessita dos serviços públicos, pois se trata do sucesso de um plano político vaidoso e pessoal, já corrompido na origem.

Dito isto, analisemos o resultado do projeto político a partir da observação de nossa urbe. Olhemos com olhos desnudos para a realidade da cidade ‘Pérola’.

Nossa Polis reflete, em diversos aspectos, os efeitos danosos de vitórias umbilicais. Visivelmente se regrediu no tempo, retrocedeu-se, por certo, em razão de projetos cravejados pelo sentimento da vaidade egoísta e cega. Esse, sem olhar para a crise econômica e social, engorda os bolsos de um seleto grupo que frequenta o Paço como se estivesse construindo monumentos para a posteridade reverenciá-lo como a um faraó, como a divindade Deus Sol. São verdadeiros reis nus rodeados por bajuladores.

Para se perceber a estagnação do progresso, basta comparar nossa cidade com qualquer município ou Estância de mesmo porte, e perceber as grandes diferenças. É gritante o atraso. Ficamos para trás. Bem distante.

Algumas regiões parecem que retornaram à Idade Média: lama, buraco, lixo, ruas sem calçamento, sem pavimentação mínima, esgoto correndo a céu aberto e sem iluminação pública. É a esculhambação da esculhambação, total, ampla e irrestrita.

Cai bem, relembrar a celebre frase de Rui Barbosa: “De tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se o poder na mão dos maus, o homem chega a rir-se da honra, desanimar-se da Justiça, e ter vergonha de ser honesto”.

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