Ondas de protesto no Brasil, o que o Movimento Passe Livre quer dizer? por: Luís Carlos Nunes

Nunca na história de nossos políticos enfrentou-se uma pressão social tão genuína, tão intensa e tão espontânea quanto o Movimento Passe Livre.
Nossos políticos se acostumaram à vida mansa proporcionada por mimos, mentiras e tiranias imensuráveis. A folga acabou! Se não é bom para políticos profissionais, para o Brasil é.

Sem indignação, sem mobilização, sem protesto você não consegue nada. Teríamos que nos conformar com a baixa velocidade produtiva de nossos parlamentares e governantes nas reformas sociais que mitiguem a vergonhosa desigualdade entre os brasileiros.
A cada lista internacional de desenvolvimento social, lá está o Brasil em colocações medíocres, abaixo mesmo de vizinhos latino-americanos com economias michas se comparadas as nossas.
Nossos políticos se abarrotaram de falas fúteis e caluniosas com setores que combatem o atraso social. O que fazem são somente promessas, como por exemplo, uma feita em pleno período eleitoral de que se seu candidato fosse eleito teríamos muita festa e animação com a banda soteropolitana “Chiclete com Banana”.
O que o Movimento Passe Livre fala não é de fajutice retrógrada de pseudomovimentos como o “Cansei” e coisas do gênero, ele fala de ir, vir e poder ficar, grita por melhor educação, abomina a corrupção, brada por saúde, ou seja; vida e vida em abundância e dignidade. O Movimento Passe Livre, já conhecido por MPL fala de coisas reais! Fala de insatisfação muito além, das tarifas de ônibus, embora se expressem por elas.
Não é um grupo de esquerda, de direita de centro ou anarquista, apesar de agregar em seus quadros as diversas tendências e facções possíveis.
A grande mídia está dando destaque agora porque, presumivelmente, acha que pode fixar na juventude e no eleitorado, especialmente os paulistanos, a ideia de que fulano ou cicrano é melhor ou pior do que outro.
Tudo isso, toda essa insatisfação e o debate gerado é extremamente positivo, pois tira nossas elites e políticos oportunistas que para votar os 10% para educação encontram milhares de desculpas esfarrapadas e um legalismo exacerbado, mas se for para votar mais privilégios, mordomias e tetos salariais para si e seus afilhados políticos não encontram as menores dificuldades.
Com tanto descaso e insensibilidade social, tinha que dar no que deu: a voz rouca das ruas seja branca ou vermelha, negra ou amarela, parda ou o que for, tem um limite de paciência. E ela se esgotou. O movimento Passe Livre e toda a sociedade excluída e esquecida pede para que se acelere, e muito, o pedal das reformas sociais necessárias.
Luís Carlos Nunes
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