Pesquisa indica riscos ao desenvolvimento de crianças em países de baixa renda.

Estudos publicados na nova série sobre desenvolvimento na primeira infância da revista científica The Lancet estimam que 249 milhões de crianças correm um alto risco de comprometimento em seu desenvolvimento devido à situação de extrema pobreza e baixa estatura para a idade. Esse número corresponde a 43% das crianças menores de 5 anos em países de baixa e média renda.

 A série de artigos “Avanços no Desenvolvimento Infantil: da Ciência a Programas em Larga Escala” foi lançada no Brasil hoje (9), no escritório Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em Brasília.

Os estudos trazem novas evidências científicas que fundamentam intervenções e propostas para a implementação de políticas em larga escala para o desenvolvimento social e de crianças na primeira infância. Baseada nas conclusões e recomendações das séries anteriores, publicadas em 2007 e 2011, a publicação destaca a importância do cuidado integral e integrado durante os três primeiros anos de vida.

A série, em inglês, está disponível na página do The Lancet na internet e mostra que o cérebro infantil se desenvolve com maior rapidez nos primeiros 2 a 3 anos de vida, período crítico de adaptabilidade e de capacidade de resposta às intervenções.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), o Banco Mundial e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) apoiaram a série, que enfatiza o “cuidado carinhoso e sensível às necessidades das crianças”, especialmente daquelas com menos de três anos de idade, e as intervenções multissetoriais, que começam com a saúde, que podem chegar a muitas famílias e às crianças pequenas através da saúde e nutrição.

O representante adjunto da OPAS/OMS no Brasil, Luis Felipe Codina, disse que os estudos, nessa perspectiva da ciência, da teoria e práticas colocadas em espaço menor, trazem experiências locais que deram certo e que de alguma forma pudessem ser colocadas de forma nacional e internacional, com mais gente no processo. Ele cita ainda que o Sistema Único de Saúde (SUS), no Brasil, tem mecanismos potentes que podem ser implementados.

“São cinco elementos que, vendo a sério do The Lancet que coloca o local para o nacional, da ciência em larga escala, acho que o SUS e o Brasil tem potencialidade para desenvolver esse tipo de proposta, com o conjunto da sociedade”, disse Codina. Ele cita a visita domiciliar e ela conjugada com a atenção básica como importantes instrumentos para o desenvolvimento infantil, a articulação entre as instituições, capazes de desenvolver uma proposta tão ampla, a manutenção das pesquisas e da academia para fortalecer a implementação das políticas e a incorporação de elementos tecnológicos inovadores para facilitar o atendimento e monitoramento.

A série revela que as intervenções para o desenvolvimento na primeira infância que promovem uma atenção sensível às necessidades das crianças – saúde, nutrição, cuidados, segurança e aprendizagem precoce – poderiam custar apenas 50 centavos de dólar por criança ao ano, caso fossem combinadas aos serviços já existentes, como o de saúde.

O lançamento de hoje foi feito em parceria com a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário. No Brasil, o Programa Criança Feliz, comandado pelo ministério, propõe promover o desenvolvimento integral na primeira infância de beneficiários do Bolsa Família.

O ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra, afirmou que as pesquisas são importantes para desenvolver políticas públicas no Brasil. “O resultado desse conjunto de pesquisas, reforçando nossos conhecimentos, é base científica para execução de políticas públicas de grande escala”, disse.

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