Política e Solidariedade: Em quem votar?

Vivemos momentos difíceis e de grande sofrimento para a maioria de nossa população. A crise que atravessamos distribui seu peso de forma dramática entre a população mais fragilizada pelo desemprego e por necessidades básicas não atendidas.

A consciência de cada cristão deve recordar-se do que disse o Papa João Paulo II: “Sob toda propriedade privada pesa uma hipoteca social”. Há um dever de solidariedade que deve sobrepor-se à posse dos bens materiais que são dons de Deus. A Doutrina Social da Igreja propõe a solidariedade como uma luz na escuridão do egoísmo no qual nos movemos no sistema econômico que rege a economia. A solidariedade recorda que não há dever sem direito, nem direito sem dever. A solidariedade é saber, diante da noite, não ficar acusando as trevas, mas acender uma luz.

Existem muitas formas de solidariedade cristã, uma delas é a participação dos leigos e leigas na política. Política aqui entendida como o modo pacífico de trabalhar pelo bem comum. A verdadeira política não é um jogo de interesses e poder para dominar e enriquecer. “A política, do ponto de vista ético, é o conjunto de ações pelas quais os homens buscam uma forma de convivência entre indivíduos, grupos, nações que ofereçam condições para a realização do bem comum… é o exercício do poder e o esforço por conquistá-lo, a fim de que seja exercido na perspectiva do serviço” (Mensagem da CNBB para as eleições municipais de 2016).

Como a política tem influência decisiva em tudo que se faz na sociedade, inclusive no arroz e feijão que se põe à mesa, gostaria de alertar os cristãos católicos, e pessoas de boa vontade, que sonham com a justiça e a paz para todos, a respeito das próximas eleições que serão decisivas. Dirijo-me especialmente às nossas inúmeras comunidades que certamente contarão com pessoas dispostas a se candidatar nas próximas eleições. A pergunta inevitável é feita por todos: quais são os candidatos que merecem nosso voto?

Coloco as seguintes considerações para votar bem:

  1. Candidatos católicos, que tem vida ativa e participante em nossas comunidades;
  2. Que não sejam oportunistas, mas desejam trabalhar para o bem comum;
  3. Que nossas celebrações não sejam lugares de apresentar as propostas políticas dos candidatos. Os padres podem abrir espaço para os candidatos católicos exporem suas propostas, mas não nos momentos de celebração litúrgica;
  4. Que os candidatos apresentem propostas concretas e inteligentes para melhorar a vida do povo, e não promessas;
  5. Os candidatos e candidatas que se dispuserem a prestar este serviço ao bem comum, lembrem-se que, não são candidatos da Igreja Católica, mas são leigos que a partir de sua fé vivida na Igreja, querem a partir desta fé prestar um serviço à sociedade;
  6. Que os candidatos católicos não sejam discriminados nas comunidades. Vamos olhar para eles como irmãos que estão se dispondo a uma missão exigente: A política é uma forma exigente de exercício da caridade, dizia Paulo VI;
  7. Que os candidatos se comprometam a viver a vida na política como uma missão em favor dos irmãos, em especial dos mais necessitados, se comprometendo a combater a corrupção que é hoje no Brasil uma das causas do sofrimento da população;
  8. Que todas as comunidades rezem pelos irmãos e irmãs que se dispuserem à missão da militância política, para que não percam a fé, mas que possam dar testemunho de solidariedade.

Deus nos ilumine e abençoe para votar bem, com consciência e responsabilidade.

Dom Pedro Carlos Cipollini – Bispo Diocesano de Santo André

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