Ribeirão Pires: Moradores de rua enfrentam frio rigoroso que põe suas vidas em risco.

A vida dos moradores de rua é sempre muito dura. O papelão serve de colchão, comida só vinda de doações e solidariedade, a falta de cobertor é suprido pelo álcool. Banho é item raro conforme foi constatado por esta reportagem que avistou pessoas com cabelos “empastados” e embaraçados.

Com o frio sentido nesta noite de terça-feira (18), com sensação térmica de cerca de 5 graus, a situação foi de flagelo para pessoas em situação de risco.

Logo pela manhã, por volta de 7 horas com os olhos marejados, um rapaz aparentando 40 anos, que se abrigava no palco da Vila do Doce nos relatou: “É horrível. Com esse tempo a coisa fica pior para nós. Passamos muito frio. Para esquentar, só tomando cachaça. Essa madrugada eu estava aqui (no palco) e a GCM me obrigou a sair. Quando fui para a frente do banheiro público novamente me pediram para sair. Tive que ficar no meio do tempo e minhas cobertas estão úmidas da garoa. Depois de algum tempo, percebi que não tinha mais polícia e dormi aqui no palco”, disse.

Questionado se os moradores de rua estavam recebendo atendimento por parte da administração municipal, ele respondeu: “Não recebemos coberta e o abrigo fica lá na Quarta divisão e é muito difícil ir pra lá porque não tenho dinheiro e o carro que leva não tá vindo aqui tem alguns dias”, relatou.

O blog Caso de Política publicou em 19 de abril de 2017, texto que noticia parceria entre a prefeitura e diversas entidades assistenciais. Entre elas com o abrigo “Acolhida com Esperança”. No convênio, a administração municipal repassa R$ 800,00 per-capta para atendimento de até 40 pessoas totalizando mensalmente R$ 32.000,00. Ver texto clicando aqui.

Em resposta feita por este veículo de comunicação a prefeitura informou:

“Os munícipes em situação de rua em Ribeirão Pires recebem apoio, acompanhamento especializado e oportunidade de aprender uma profissão na Casa da Acolhida – conveniada com a Prefeitura para esse tipo de atendimento. A meta de atendimentos do local é de 40 pessoas por mês. A demanda é crescente e a média de atendimentos por mês é de 50 pessoas com os atendimentos transitórios (que chegam a passar 10 dias no local), ultrapassando a meta. Durante o inverno a Casa da Acolhida pode atender até 60 pessoas ao final de um mês. Na Casa da Acolhida, os munícipes em situação de rua participam de atividades culturais, esportivas, além de contarem com acompanhamento realizado por psicólogos, assistentes sociais e enfermeiros. As pessoas atendidas podem passar a noite no local. A equipe da Casa da Acolhida realiza serviços de ronda e recâmbio. Na ronda, os profissionais passam pela cidade convidando os munícipes em situação de rua para acompanhá-los à Casa da Acolhida. Após análise de cada caso, também poderá providenciar o recâmbio, ou seja, levantar o histórico do morador de rua e auxiliá-lo na recuperação dos vínculos familiares”.

Conforme nossos questionamento, a prefeitura deixou de responder se há algum veículo ou transporte para recolher e encaminhar ao abrigo; se o município executa serviço de distribuição de cobertores e roupas para moradores de ruas; se existe por parte desta administração orientação para a Guarda Municipal para retirada de moradores de rua de espaços públicos; e se existe alguma entidade para tratamento de moradores de rua em situação de vícios (drogas e alcoolismo) e também se há em Ribeirão Pires algum tipo de atendimento em assistência social que coloque moradores em situação de rua em contato com familiares.

Em contato com a ONG “Casa de Acolhida”, uma funcionária se que identificou como terceirizada, informou que rondas constantes são realizadas para recolher moradores de rua e que 3 ou 2 pessoas procuram diariamente a entidade, sendo que há dias que o local fica sem ninguém para atender”.

No site da ONG (ver aqui) que encontra-se sem atualização a bom tempo, é expresso que “o Projeto ‘Casa de Acolhida’ é uma casa de passagem que possui como principal objetivo reintegrar socialmente todas as pessoas em situação de rua encontradas na Estância Turística de Ribeirão Pires, assegurando o atendimento para desenvolvimento de social, fortalecendo sua autoestima e a noção de vínculos interpessoais e/ou familiares adequados, cuidando do bem-estar do indivíduo e da reeducação de sua postura. Através do Projeto “Casa de Acolhida” serão atendidas diariamente pessoas em situação de rua (maiores de 18 anos até 60 anos de idade) referenciadas pelo CREAS com parceria com a Guarda Municipal. Será fornecido o abrigo temporário com o ambiente e os tratamentos adequados para a ressocialização do indivíduo.

Aqui estamos falando de pessoas! Seres humanos! Devemos sim reconhecer os esforços da prefeitura que repassa recursos para entidade especializada por atender essas pessoas em situação de rua. Mas ao que tudo indica, a execução dos serviços não está a contento de seu público alvo. A reclamação é generalizada, a fortes queixas de não há regularidade de abordagens feitas pela ONG, queixas de que a prefeitura não doa cobertores suficientes para quem está necessitando. Se há verba pública sendo utilizada e o serviço não é executado como devido, está faltando fiscalização por parte do executivo e dos vereadores. É preciso providencias o quanto antes! O frio está muito rigoroso e como cidadãos, devemos evitar que tragédias aconteçam! Estamos tratando de seres humanos! Segundo ouvimos de uma pessoa “o cachorro é privilegiado, porque tem casinha, deita onde quer e dorme sem ser incomodado”. Talvez uma saída interessante seria um local melhor situado, o que segundo afirmaram alguns moradores de rua, “facilitaria a ida”. Luís Carlos Nunes

You can leave a response, or trackback from your own site.

Leave a Reply