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Bolsonaro convidará Sérgio Moro para o Ministério da Justiça

Na primeira entrevista que concedeu à imprensa depois de eleito presidente, Jair Bolsonaro (PSL) demonstrou desejo de ter o juiz Sérgio Moro integrando a sua equipe de governo, no comando do Ministério da Justiça.

“Pretendo sim (convidar Sergio Moro), não só para o Supremo, quem sabe até chamá-lo para o Ministério da Justiça. Pretendo conversar com ele, saber se há interesse dele nesse sentido também”, afirmou Bolsonaro à TV Record.

Sérgio Moro desejou ao presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) ‘que faça um bom governo’. Após o fim da apuração, Moro declarou  que ‘encerradas as eleições, cabe congratular o presidente eleito’. Ele pede reformas ‘com diálogo e tolerância’: “são importantes, com diálogo e tolerância, reformas para recuperar a economia e a integridade da Administração Pública”. Moro é apontado como virtual ministro da Justiça e, posteriormente, do STF.

Bolsonaro detona Imprensa no Jornal Nacional e volta a falar em Kit Gay

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) atacou a Folha de S. Paulo nesta segunda-feira, 29, em entrevista ao Jornal Nacional. Bolsonaro disse que a Folha “não tem prestígio nenhum” e que “só espalha fake news”. Bolsonaro disse também que a Folha não terá verba de publicidade do governo federal a partir do próximo ano.

Em um furo de reportagem da jornalista Patricia Campos Mello, a Folha denunciou o esquema de disseminação em massa de fake news contra Fernando Haddad (PT), pelo Whatsapp, financiada por empresas apoiadoras da campanha de Bolsonaro.

Apesar de criticar a Folha de fabricar “fake news”, Bolsonaro voltou a falar sobre o Kit gay, uma das fake news mais disseminadas contra Haddad na campanha.

“Notável o esforço de Bonner e Renata em tentar ‘normalizar’ Bolsonaro. Deram-lhe todas as chances. Ele dispensou algumas: insistiu com a fake news do kit gay e ameaçou a Folha de S. Paulo”, disse o jornalista Ricardo Noblat sobre a entrevista.

Bolsonaro teve 39% dos votos. Haddad 32%. Nulos, brancos e abstenções somaram 29%

O deputado federal e capitão reformado do Exército Jair Bolsonaro (PSL-RJ) recebeu neste domingo (28) o aval dos eleitores para tomar posse, em 1º de janeiro, como o 38º presidente do país.

Com 100% da apuração concluída, Bolsonaro somou 57,8 milhões de votos, contra 47 milhões do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT). Em termos de votos válidos, os percentuais de cada um são 55% e 45%.

Levando em conta os votos totais, no entanto, os números indicam que Jair Bolsonaro teve o voto de menos de 40% dos 147,3 milhões de eleitores aptos. Mais de 21% se abstiveram de votar. Votos nulos e brancos somaram, respectivamente, 5,8% e 1,7%.

Veja os números exatos:

Resultado final da eleição

Bolsonaro: 57.797.466 (39,3%)
Haddad: 47.040.859 (31,9%)
Abstenções: 31.373.290 (21,3%)
Nulos: 8.608.088 (5,8%)
Brancos: 2.486.591 (1,7%)
Apesar disso, Bolsonaro superou amplamente o adversário. Venceu em quatro das cinco regiões do país. Em termos proporcionais, sua maior vantagem foi registrada no Sul e no Centro-Oeste, onde teve 68% e 67% dos votos válidos. Haddad ganhou somente nos nove estados do Nordeste, no Pará e em Tocantins. No Nordeste, única região em que venceu, Haddad ampliou a vitória obtida no primeiro turno e chegou a 70% dos votos válidos, com vantagem de 40 pontos sobre o adversário. Enquanto Bolsonaro superou o petista com folga nas grandes cidades, o ex-ministro da Educação saiu-se melhor nos pequenos municípios. Foi o mais votado em 2.810 cidades, ante 2.760 de Bolsonaro.

Presidente eleito, Bolsonaro leu discurso em que assumiu o compromisso de cumprir a Constituição Federal e diminuir o tamanho do Estado. “O governo dará um passo atrás, reduzindo sua estrutura e a burocracia, cortando desperdícios e privilégios para que as pessoas possam dar muitos passos à frente”, anunciou (veja abaixo a íntegra do discurso em vídeo e texto).

Naquela que foi certamente a mais acirrada e violenta campanha presidencial realizada no Brasil desde a Constituição Federal de 1988, Jair Bolsonaro alcançou a vitória com o apoio de setores bastante heterogêneos da sociedade. Entre eles, o agronegócio, a maior parte das igrejas evangélicas, o mercado financeiro, movimentos contra a corrupção e integrantes das Forças Armadas e das polícias civil, federal e militar.

Juramento a Deus

“Fizemos uma campanha como deveria ser feita”, disse Bolsonaro na noite deste domingo (28), pouco depois de confirmada a sua vitória. Sentado diante de uma mesa com vários livros e ladeado pela terceira esposa, Michele, e por uma tradutora de Libras, ele levantou uma obra do inglês Winston Churchill para afirmar que vai se inspirar no “exemplo dos estadistas”.

Disse que foi buscar na Bíblia os “fundamentos” de sua pregação eleitoral, que têm na “verdade” o seu eixo central. Também criticou o “extremismo da esquerda”. Ainda na mesa, um exemplar da Constituição Federal e uma obra do filósofo Olavo de Carvalho, filósofo de extrema-direita conhecido pela virulência com que investe contra os que pensam diferente dele.

Em seguida, enquanto uma multidão comemorava o resultado da eleição presidencial em frente à sua residência na Barra da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), Jair Bolsonaro, a família e vários políticos fizeram uma oração de agradecimento a Deus pela graça alcançada. O senador Magno Malta (PR-ES), derrotado no último dia 7 na tentativa de se reeleger, foi encarregado de fazer a oração.

Brasília-DF 28 10 2018 os eleitores do candidato eleito à presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), concentram a comemoração pela vitória na Esplanada dos Ministérios.Fabio Rodrigues Pozzebom/Ag. Brasil

Somente depois disso, leu o discurso oficial de celebração da vitória, iniciado por um famoso ensinamento bíblico (“conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”). Agradeceu as orações contra a “ameaça de seguirmos por um caminho que não é o que os brasileiros desejam e merecem”. Prometeu defender a Constituição, a democracia e a liberdade. E acrescentou: Isso é uma promessa não de um partido,  não é a palavra de homem, é um juramento a Deus”.

Para Bolsonaro, “o que ocorreu hoje nas urnas não foi a vitória de um partido, mas a celebração de um país pela liberdade”. Além de prometer diminui o Estado brasileiro, ressaltou o compromisso com o trinômio “emprego, renda e equilíbrio fiscal”: “Quebraremos o ciclo vicioso do crescimento da dívida, substituindo-o pelo ciclo virtuoso de menores déficits, dívida decrescente e juros mais baixos. Isso estimulará os investimentos, o crescimento e a consequente geração de empregos. O déficit público primário precisa ser eliminado o mais rápido possível e convertido em superávit, esse é o nosso propósito”.

Disse ainda que o Brasil reconquistará o “respeito internacional” e se livrará do “viés ideológico” na condução da política externa (veja abaixo a íntegra do discurso).

Rejeição ao PT

Deputado conhecido por seu perfil de extrema-direita, Jair Bolsonaro conquistou a vitória explorando a rejeição contra o partido do seu adversário. Os erros econômicos cometidos pelo PT no poder e, sobretudo, o envolvimento do ex-presidente Lula e de outras figuras importantes do petismo com a corrupção foram intensamente explorados pelo deputado.

Sua competente campanha eleitoral também procurou suavizar atos e afirmações que sempre o levaram a ser tratado como alguém que, enquanto congressista, era ou encarado como uma espécie de piada de mau gosto – que, portanto, não merecia ser levado muito a sério – ou como um perigoso radical de direita. O caminho para o poder foi facilitado por dois episódios: a inelegibilidade do ex-presidente Lula, que liderava todas as pesquisas de intenção de voto mesmo preso desde 7 de abril, por imposição da Operação Lava Jato; e o atentado a faca que ele sofreu em Juiz de Fora (MG), em 6 de setembro, que quase o levou à morte e, por efeito colateral, acabou por vitimizá-lo a despertar a compaixão em parcela do eleitorado.

Em Brasília, os eleitores do candidato eleito á  presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), concentram a comemoração pela vitória na Esplanada dos Ministérios.

Ingrediente decisivo de sua escalada para o Palácio do Planalto foi o uso das redes sociais para a comunicação direta com a população. Com frequência as redes dos seguidores de Bolsonaro foram acusadas de transmitir informações falsas – as famosas fake news – sobre outros candidatos. Mesmo eleito, Bolsonaro responderá a processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), movido pelo PT, com base em reportagem do jornal Folha de S.Paulo. Segundo a matéria assinada pela repórter especial Patrícia Campos Mello, o deputado foi beneficiado por um esquema de difusão massiva de mensagens via WhatsApp, com conteúdo contrário a Haddad, bancado por empresários. A lei veda as doações de empresas.

Mistificado pelos seguidores, que sintomaticamente adoram chamá-lo de “mito”, Jair Bolsonaro teve trajetória marcada por polêmicas e confusões com seus pares no Parlamento. Foi alvo de diversos processos judiciais por quebra de decoro parlamentar. Também foi réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por incitação ao crime de estupro e injúria.

Problemas com a Justiça o perseguem desde que foi acusado, ainda na década de 1980, de idealizar um plano para explodir bomba em instalações militares como forma de protestar contra os baixos soldos. Ficou preso por 15 dias, mas o Superior Tribunal Militar (STM) reformou decisão da Comissão de Notificação, que havia deliberado por unanimidade pela sua expulsão do Exército.

Quase todos os principais veículos da mídia internacional – incluindo publicações conservadoras como o francês Le Figaro, a revista inglesa The Economist e os dois principais jornais econômicos do mundo, The Wall Street Journal e Financial Times – manifestaram preocupações com a possibilidade de ascensão de Bolsonaro ao poder. Além das ideias extremistas do capitão, tais veículos temem o seu temperamento explosivo, a sua total inexperiência administrativa e a inabilidade para administrar conflitos.

Assista o pronunciamento da vitória:

Íntegra do discurso da vitória de Bolsonaro:

Conhecereis a verdade e a verdade os libertará. Nunca estive sozinho, sempre senti a presença de Deus e a força do povo brasileiro, orações de homens, mulheres, crianças, famílias inteiras, que diante da ameaça de seguirmos por um caminho que não é o que os brasileiros desejam e merecem, colocaram o Brasil acima de tudo. Faço de vocês minhas testemunhas de que esse governo será um defensor da Constituição, da democracia e da liberdade. Isso é uma promessa não de um partido não é a palavra de homem, é um juramento a Deus. A verdade vai liberar esse grande país e vai nos transformar em uma grande nação. A verdade foi o farol que nos guiou até aqui e vai seguir iluminando nosso caminho.

O que ocorreu hoje nas urnas não foi a vitória de um partido, mas a celebração de um país pela liberdade. O compromisso que assumimos com os brasileiros foi de fazer um governo decente, comprometido exclusivamente com o país e o nosso povo e eu garanto que assim o será. Nosso governo será formado por pessoas que tenham o mesmo propósito de cada um que me ouve nesse momento, o propósito de transformar o Brasil em uma grande, livre e próspera nação.

Podem ter certeza de que nós trabalharemos dia e noite para isso. Liberdade é um princípio fundamental. Liberdade de ir e vir, andar nas ruas em todos os lugares desse país, liberdade de empreender, liberdade política e religiosa, liberdade de fazer, formar e ter opinião, liberdade de escolhas e ser respeitado por elas. Esse é um país de todos nós, brasileiros natos ou de coração. Um Brasil de diversas opiniões, cores e orientações.

Como defensor da liberdade, vou guiar um governo que defenda, proteja os direitos do cidadão que cumpre seus deveres e respeita as leis. Elas são para todos, assim será o nosso governo constitucional e democrático: acredito na capacidade do povo brasileiro que trabalha de forma honesta, de que podemos juntos, governo e sociedade, construir um futuro melhor. Esse futuro de que falo e acredito passa por um governo que crie condições para que todos cresçam. Isso significa que o governo dará um passo atrás, reduzindo sua estrutura e a burocracia, cortando desperdícios e privilégios para que as pessoas possam dar muitos passos à frente.

Nosso governo vai quebrar paradigmas, vamos confiar nas pessoas, vamos desburocratizar, simplificar, desburocratizar e permitir que o cidadão, o empreendedor, tenha menos dificuldades para criar e construir o seu futuro. Vamos desamarrar o Brasil.

Outro paradigma que vamos quebrar: o governo respeitará de verdade a federação, as pessoas vivem nos municípios, portanto os recursos irão para os estados e municípios. colocaremos de pé a federação brasileira. Nesse sentido, repetimos que precisamos de mais Brasil e menos Brasília. Muito do que estamos fundando no presente trará conquistas no futuro. As sementes serão lançadas e regadas para que a prosperidade seja o desígnio dos brasileiros do presente e do futuro.

Esse não será um governo de resposta apenas às necessidades imediatas, as reformas que nos propomos são para criar um novo futuro para os brasileiros. E quando digo isso falo com uma mão voltada ao seringueiro no coração da selva amazônica e a outra para o empreendedor suando para criar e desenvolver sua empresa. Porque não existem brasileiros do sul e do norte, somos todos um só país, uma só nação, uma nação democrática.

O Estado democrático de direito tem como um dos seus pilares o direito à propriedade. Reafirmamos aqui o respeito e a defesa desse princípio constitucional e fundador das principais nações democráticas do mundo. Emprego, renda e equilíbrio fiscal é o nosso compromisso para ficarmos mais próximos de oportunidades e trabalho para todos.

Quebraremos o ciclo vicioso do crescimento da dívida, substituindo-o pelo ciclo virtuoso de menores déficits, dívida decrescente e juros mais baixos. Isso estimulará os investimentos, o crescimento e a consequente geração de empregos. O déficit público primário precisa ser eliminado o mais rápido possível e convertido em superávit, esse é o nosso propósito.

Aos jovens, palavra do fundo do meu coração: vocês têm vivido um período de incerteza e estagnação econômica, vocês foram e estão sendo testados a provar sua capacidade de resistir. Prometo que isso vai mudar, essa é a nossa missão. Governaremos com os olhos nas futuras gerações e não na próxima eleição.

Libertaremos o Brasil e o Itamaraty das relações internacionais com viés ideológico a que fomos submetidos nos últimos anos. O Brasil deixará de estar apartado das nações mais desenvolvidas, buscaremos relações bilaterais com países que possam agregar valor econômico e tecnológico aos produtos brasileiros. Recuperaremos o respeito internacional pelo nosso amado Brasil.

Durante a nossa caminhada de quatro anos pelo Brasil, uma frase se repetiu muitas vezes: ‘Bolsonaro, você é a nossa esperança’. Cada abraço, cada aperto de mão, cada palavra ou manifestação de estímulo que recebemos nessa caminhada fortaleceram o nosso propósito de colocar o Brasil no lugar que merece.

Nesse projeto que construímos cabem todos aqueles que têm o mesmo objetivo que o nosso. Mesmo no momento mais difícil dessa caminhada, quando, por obra de Deus e da equipe médica de Juiz de Fora e do Albert Einstein, ganhei uma nossa certidão de nascimento, não perdemos a convicção de que juntos poderíamos chegar à vitória.

É com essa mesma convicção que afirmo: ofereceremos a vocês um governo decente, que trabalhará verdadeiramente por todos os brasileiros. Somos um grande país e agora vamos, juntos, transformar esse país em uma grande nação, uma nação livre, democrática e próspera. Brasil acima de tudo e Deus acima de todos.

Bolsonaro e Haddad se enfrentarão no segundo turno

Os candidatos Jair Bolsonaro (PSL), 63 anos, e Fernando Haddad (PT), 55, disputarão o segundo turno das eleições presidenciais no dia 28 de outubro. Com 99% das urnas apuradas, o capitão reformado do Exército somava 46,07% dos votos válidos, contra 29,22% do petista.

Desde que oficializou a candidatura em substituição ao ex-presidente Lula, em 11 de setembro, Haddad subiu nas pesquisas e passou a disputar com Bolsonaro a preferência do eleitorado, mantendo-se isolado no segundo lugar. Ciro Gomes (PDT) chegou em terceiro lugar nesta reta final eleitoral, com 12,47%.

Sempre referindo-se ao ex-presidente Lula (PT) como preso político, Haddad disse já ter recebido contato dos principais candidatos posicionados mais à esquerda do espectro político – além de Ciro, Guilherme Boulos (Psol) e Marina Silva (Rede). Acompanhado de sua vice, Manuela D’Ávila (PCdoB), o petista aproveitou para alfinetar seu rival no segundo turno. “Não andamos armados.”

Recuperando-se da faca que quase o matou em 6 de setembro, Bolsonaro veiculou um vídeo ao vivo em suas redes sociais e, lendo um texto escrito para a ocasião, disse que se cercaria de nomes técnicos em seu eventual governo. O deputado disse ainda que a troca de favores e o loteamento de cargos não terá vez caso seja eleito presidente.

Pesquisa Brasilis/Genial revela como os eleitores avaliam seus candidatos

Uma pesquisa das intenções de votos à Presidência da República, feita pelo Instituto Brasilis e contratada pela Genial Investimentos, divulgada nesta quinta-feira (27), inova ao traçar o perfil dos candidatos na visão do eleitorado brasileiro.
É a segunda pesquisa divulgada pelo Instituto, que ouviu 1 mil pessoas, feita por telefones fixo e móvel, de modo aleatório, entre os dias 25 e 26 de setembro, com uma margem de erro de 3,5 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Mas o que difere o levantamento de outros foi a pergunta relacionada aos “atributos dos candidatos”. Tratam-se de palavras-chave que indicam o que motivam os votos dos eleitores, também chamados de “key-drivers do voto”.
Nesse quesito, foram testados seis atributos de imagem: “combater a corrupção”, “ser pulso forte”, “tomar de volta o Brasil das mãos dos ricos”, “entender o problema dos pobres”, “ser gente como a gente”, e “fazer as pessoas comprarem e consumirem mais”.
De acordo com o cientista político e sócio-diretor do Instituto Brasilis, Alberto Carlos Almeida, a pesquisa detectou que cada candidato se caracteriza da seguinte maneira para o eleitorado:
Bolsonaro: o candidato que tem pulso forte para combater a corrupção;
Haddad: o candidato do social, tem o mesmo perfil de Lula em 2002 e 2006 e Dilma em 2010 e 2014;
Alckmin: os eleitores que ficaram com ele o valorizam mais por seu perfil social e, por isso, no segundo turno a maioria deles opta por Haddad;
Ciro: é o candidato que tem pulso forte para aumentar o poder de compra da população, e a proposta do SPC foi importante para formar esse perfil;
Marina: é a candidata que está ao lado do povo, mas não está associada à resolução de problemas, tal como a corrupção e o consumo da população.
De acordo com Almeida, duas características de Bolsonaro são a marca forte do candidato, uma vez que os números escolhidos para estas expressões (34,3% para “combater a corrupção” e 36,6% para “ser pulso forte”) se distanciam muito da média geral do presidenciável, que é de 27,9%.
Da mesma forma, isso revela, na visão do cientista político, “que seus eleitores têm poucos motivos destacados para votar nele”.
Já aqueles que votam em Marina Silva, Ciro Gomes e aqueles eleitores que restaram com Alckmin “têm características semelhantes aos eleitores de Haddad”, voltadas ao social.
Na visão de Almeida, a mudança no perfil de Alckmin, que até então não eram associados a medidas sociais, para o povo, ocorre porque o tucano perdeu os eleitores de centro-direita.
As características que os eleitores de Geraldo Alckmin assinalam é reveladora, demonstrando que ele “perdeu o eleitor típico do PSDB para o Bolsonaro, em particular por causa da característica ‘ter pulso forte, decidido’ que nas eleições anteriores esteve sempre exclusivamente associada ao candidato tucano”, apontou.
Assim, o diretor do Instituto Brasilis, responsável pela pesquisa, conclui que “o PSDB foi esvaziado pelo Bolsonaro”, e que, por isso, Alckmin não tem mais chances na corrida eleitoral: “ele já não consegue trazer para si o eleitor de centro direita”.
A pesquisa também registra o crescimento consistente da candidatura de Fernando Haddad (PT) e a queda de intenções de voto de Jair Bolsonaro (PSL).
No levantamento, Haddad teve um aumento de quatro pontos percentuais, atingindo 22% das intenções registradas, e Bolsonaro aparece com 27%, uma diminuição de três pontos percentuais em comparação ao levantamento anterior, divulgado no dia 21 de setembro.
Na simulação de segundo turno, Haddad vence com 44% das intenções de voto, contra 36% de Jair Bolsonaro, uma inversão na vitória de Haddad, em comparação à semana anterior, quando o candidato da extrema direita ganhava por 43% contra 39% do petista.
No relatório divulgado pela Genial Investimentos, Alberto Almeida também aponta que o aumento das intenções de voto do candidato do PT ocorre “em ritmo mais lento”, ainda que “sem sinais de reversão da tendência de fortalecimento”.
Enquanto que o enfraquecimento de Bolsonaro estaria, em sua visão, associado a ausência do candidato nos debates e atividades de campanha, além dos ataques da equipe de campanha do PSDB e à reação negativa de parte da sociedade, principalmente o eleitorado feminino.
Por fim, Almeida acredita que o resultado de Bolsonaro versus Haddad em um segundo turno já está definido: “Para que um dos demais candidatos se torne capaz de ir ao segundo turno, deslocando ou Bolsonaro ou Haddad, é preciso retirar para si, ao menos, 0,8 ponto percentual por dia dos candidatos favoritos a se qualificarem para o segundo turno. Não há sinais consistentes de que isso possa ocorrer”, concluiu.
Leia a íntegra do relatório da pesquisa abaixo ou clique aqui para download do arquivo

Mourão pode ter sepultado Bolsonaro ao defender o fim do 13º salário

Mourão afirmou que 13º e adicional de férias são “mochila nas costas de todo empresário”

O candidato a vice-presidente na chapa do deputado presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), o general da reserva Hamilton Mourão, em campanha no sul do país, criticou o direito a férias e o pagamento de 13º salário a trabalhadores. Bolsonaro desautorizou o vice pelo Twitter e afirmou que, ao criticar o 13º, Mourão faz “uma ofensa a quem trabalha” e “confessa desconhecer a Constituição”.

Para Mourão, os direitos previstos aos trabalhadores são “jabuticabas” – ou seja, só ocorrem no Brasil – e “mochila nas costas de todo empresário”. “E temos algumas jabuticabas que a gente sabe que é uma mochila nas costas de todo empresário” (sic), diz Mourão, que prossegue citando o 13º salário como um das “jabuticabas”.

“Se a gente arrecada 12 [meses] e pagamos 13? E [o país] é o único lugar onde a pessoa entra em férias e ganha mais”, disse o general da reserva.

Analistas afirmam que a medida em que os trabalhadores tomem conhecimento da determinação isso traga prejuízos a candidatura de Jair Bolsonaro.

Acompanhe abaixo o vídeo

Em debate do SBT, Cabo Daciolo enquadra Ciro e Meirelles e Alckmin se enrola com escândalo da merenda

Cabo Daciolo

O candidato do PT à presidência da República, Fernando Haddad, disse que o seu adversário do PDT, Ciro Gomes, queria uma chapa “dream team” (equipe dos sonhos, em tradução livre) que incluísse o petista como candidato a vice. Disse ainda que Ciro o convidou para o posto. A revelação foi feita em debate no SBT realizado nesta quarta-feira (26), em parceria com o jornal Folha de S.Paulo e o portal UOL.

O assunto veio à tona quando Ciro Gomes, dirigindo-se a Marina, disse que o PT não teria vez em uma eventual gestão pedetista (“Neste momento, o PT representa uma coisa muito grave para o país”, disse). Em seguida, no trecho do debate em que profissionais de imprensa fizeram perguntas aos candidatos, o jornalista Fernando Canzian (Folha) quis saber se Haddad, um dos advogados inscritos para visitar Lula na cadeia em Curitiba (PR), onde o ex-presidente cumpre pena desde 7 de abril, continuaria a fazê-lo depois de eleito – o jornalista perguntou se Haddad não seria um “candidato teleguiado” que, uma vez no poder, manteria “uma ponte-aérea entre Brasília e Curitiba”.

“Ele está injustamente preso. A sentença que o condenou não para em pé. Não apresentaram uma única prova contra ele e eu não vou descansar enquanto ele não tiver um julgamento justo. Inclusive no exterior, porque na Organização das Nações Unidas [ONU] já se prevê um julgamento de mérito, no primeiro semestre do ano que vem, pela perseguição que ele vem sofrendo”, reclamou Haddad, afastando em seguida a insinuação de que governaria com Lula.

Fernando Haddad disse que recebeu convite de Ciro para ser o seu vice de chapa

“Não é assim que funciona um governo. Um governo é composto por várias forças políticas que assinam um compromisso com o programa aprovado nas urnas. Acabo de ver o Ciro Gomes dizer que não pretende governar com o PT, mas poucos meses atrás me convidava para vice-presidente na sua chapa, e chamava essa chapa de ‘dream team’, o time dos sonhos. Não é assim que se faz política, demonizando quem está com junto você circunstancialmente”, reclamou Haddad.

Assista à íntegra do debate:

Antes dessa discussão, Ciro já havia questionado os planos do petista para obras de infraestrutura e de desenvolvimento regional, acrescentando que a tarefa requer experiência. “O Brasil precisa de fato de um presidente que entenda a democracia de seu país”, disse Ciro Gomes, que citou obras paradas como herança dos governos petistas e, depois do impeachment de Dilma Rousseff (PT), de Michel Temer (MDB).

Haddad rebateu a declaração e disse que todas as obras estão paradas em razão das restrições impostas pela Emenda Constitucional 95, uma das primeiras medidas do governo Temer, que congelou teto de gastos para investimentos por 20 anos.

Oito presidenciáveis participaram do debate – além de Haddad e Ciro, foram ao estúdio do SBT Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (Psol), Henrique Meirelles (MDB) e Marina Silva (Rede). O único candidato ausente foi o líder nas pesquisas de intenção de voto, Jair Bolsonaro (PSL), que está desde 6 de outubro, quando foi esfaqueado, internado no Hospital Albert Einstein, fora de risco de morte.

Daciolo de volta

“O senhor ficou doente e correu para o Sírio-Libanês. E o povo? O povo corre pra onde? Por que o senhor não foi para um hospital público?”

O debate no SBT, mediado pelo âncora Carlos Nascimento, marcou a volta do candidato Cabo Daciolo aos debates televisivos e à própria corrida presidencial – ele se retirou em jejum de 21 dias, iniciado em 5 de setembro, em um já folclórico morro no Rio de Janeiro. Deputado federal, o soldado do Corpo de Bombeiros evangélico voltou a roubar a cena com suas constantes citações religiosas e o “glória a Deus” que já virou bordão de campanha.

Daciolo inclusive tomou para si a frase com que Ciro Gomes, no debate da TV Bandeirantes em 10 de agosto, devolveu-lhe uma acusação sobre a fictícia “Ursal”, que seria a “União das Repúblicas Socialistas Latinoamericanas”, e a respeito da suposta paternidade do Foro de São Paulo (“A democracia é uma delícia, uma beleza. Eu dei a vida inteira por ela, e continuarei dando, mas ela tem certos custos”, disse Ciro na ocasião).

Daciolo usou a frase por duas vezes, uma delas para rebater o próprio Ciro e outra para questionar Meirelles. Primeiro dirigiu a Ciro uma pergunta sobre propostas do pedetista para o setor da saúde. Encerrada a resposta, o deputado provocou. “A democracia é uma delícia… O senhor ficou doente e correu para o Sírio-Libanês. E o povo? O povo corre pra onde? Por que o senhor não foi para um hospital público?”, indagou, referindo-se ao procedimento a que Ciro foi submetido ontem (terça, 25) no hospital paulista.

Ao contrário do debate na Band, Ciro não ironizou a colocação de Daciolo e se limitou a responder que foi convidado a ser tratado por um colega médico. Em seguida, admitiu dispor de plano de saúde. “Tenho plano de saúde e não sou demagogo para dizer o oposto”, disparou o pedetista, encerrando a discussão.

“Democracia é muito boa mesmo… A democracia é uma delícia. Estamos diante da pergunta de um banqueiro para um cabo do Corpo de Bombeiros”

Depois sobrou para Meirelles, ex-ministro da Fazenda de Temer frequentemente associado a banqueiros e ao mercado financeiro. Ao responder a uma pergunta do ex-ministro sobre propostas de redução da pobreza, Daciolo fustigou. “Democracia é muito boa mesmo… A democracia é uma delícia. Estamos diante da pergunta de um banqueiro para um cabo do Corpo de Bombeiros”, ironizou o deputado.

“Se você quiser continuar se candidatando à presidência da República, você vai ter que estudar um pouco mais. Nunca fui banqueiro”, devolveu Meirelles, que mais uma vez defendeu no debate suas realizações como homem das finanças e com experiência em gestões de ministérios, Banco Central (no governo Lula) e grandes corporações multinacionais.

Acusações

Haddad foi um dos mais acionados no debate. Mas – agora que se posiciona em segundo lugar em pesquisas de intenção de voto, com chance de disputar o segundo turno – sem voltar à condição de alvo de todos os adversários, como aconteceu no encontro anterior, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na TV Aparecida, em 20 de setembro.

Na sua vez de interrogar Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente de Lula que apoiou Aécio Neves (PSDB-MG) no segundo turno, nas eleições de 2014, o petista lembrou que ela se posicionou a favor da terceirização e da reforma trabalhista, duas das pautas mais impopulares da gestão Temer. “Você participou desse movimento pelo impeachment e ajudou a colocar Temer lá, para consequências conhecidas”, atacou o ex-prefeito de São Paulo.

“É muito engraçado, Haddad, você vir falar de impeachment, quando você foi pedir apoio a Renan Calheiros [MDB-AL], que também apoiou o impeachment”, rebateu a ex-ministra, referindo-se à aliança do ex-presidente do Senado e de seu grupo político com o PT em Alagoas.

Mais do mesmo

“Você é o Sérgio Cabral que não está preso! Cadê o dinheiro da merenda?”

No mais, o que se viu foi Geraldo Alckmin, em decadência em pesquisas de intenção de voto, com seu discurso de experiência e como representante anti-PT; Alvaro Dias com sua fala sobre moralidade e em defesa da “refundação da República”; e Guilherme Boulos, líder máximo do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), fiel à sua estratégia de enquadrar os “representantes do sistema” e fazer da melhor defesa o ataque. Logo na primeira pergunta, Boulos escolheu Alckmin e sapecou:

“Cadê o dinheiro da merenda?”, vociferou o candidato do Psol, referindo-se ao caso que ficou conhecido como “máfia da merenda escolar”, escândalo de desvio de dinheiro público que abalou o PSDB paulistano entre 2015 e 2016. Em resumo, trata-se de esquema de corrupção em que a Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) forjava a compra de alimentos de pequenos agricultores para alimentação escolar, mas na verdade os produtos eram adquiridos junto a grandes fornecedores.

Alckmin até tentou se manter no âmbito da pergunta de Boulos sobre a gestão do setor de saúde em São Paulo durante o governo tucano. “São Paulo tem a melhor rede de ensino técnico da America Latina, tem as melhores universidades do país. Não fechamos nenhuma escola”, respondeu. Mas, diante da insistência do adversários na réplica (“O sentimento do povo nas ruas, Alckmin, é o de que você é o Sérgio Cabral que não está preso!”), o tucano acusou o golpe.

“Esse é o nível do candidato à presidência da República. Tenho quarenta anos de vida pública e sempre trabalhei, nunca fui desocupado, nunca invadi propriedade. Não tenho nenhuma condenação em 40 anos de vida pública”, rebateu o tucano, acrescentando que foi seu governo que descobriu o escândalo da merenda escolar – na verdade, as investigações foram feitas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo e culminaram na acusação de membros do PSDB e de sua base aliada na Assembleia Legislativa do estado (Alesp).

Foram convidados ao debate os candidatos que integram partidos ou coligações com pelo menos cinco representantes no Congresso Nacional. O encontro durou cerca de uma hora e 45 minutos e foi dividido em três blocos. A dez dias das eleições, ainda restam debates nas emissoras Record e Globo.

Eleitor concentra votos em Haddad e Bolsonaro e se afasta do centro

O resultado da pesquisa Ibope divulgada na noite de ontem reforça a polarização da campanha a menos de duas semanas das eleições. O levantamento apresenta dois pelotões na corrida. O primeiro, formado por Jair Bolsonaro, do PSL, com 28% das intenções de voto, e o segundo por Fernando Haddad, do PT, com 22%, que estão a mais de dez pontos, no mínimo, dos terceiro, quarto e quinto colocados: Ciro Gomes (PDT), 11%, Geraldo Alckmin (PSDB), 8%, e Marina (Rede), 5%.

A pesquisa confirma a tendência de que o eleitor se afastou do centro, indo em direção aos polos representados pelos candidatos do PSL e do PT. Enquanto Bolsonaro parece não subir, Fernando Haddad, a partir da conquista de eleitores do sexo feminino e da classe de menor renda, que até então eram os mais indecisos, cresceu três pontos percentuais.

Na rabeira, aparecem João Amoêdo, do Novo, com 3%, Alvaro Dias, do Podemos, e Henrique Meirelles, do MDB, com 2%, e Guilherme Boulos, do PSol, com 1%. Cabo Daciolo, Vera Lúcia, João Goulart Filho e Eymael não pontuaram.

Em relação aos levantamentos anteriores do Ibope, Bolsonaro aumenta a sua rejeição – 42% a 46% – e perde intenção de voto nos cenários de segundo turno. O deputado, que está internado desde o início de setembro no Hospital Albert Einstein e impossibilitado de participar de debates e atividades de campanha, sairia derrotado se fosse confrontado por Ciro (46% a 35%), Haddad (43% a 37%) e Alckmin (41% a 36%) na segunda etapa. O líder das pesquisas empataria somente com a ex-senadora Marina Silva (39% a 39%), que despenca nos levantamentos.

Toffoli não acredita na hipótese de eleições contestadas como em 2014

O presidente da República em exercício, ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), não acredita na possibilidade de “terceiro turno”. Para ele, as eleições não serão contestadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como em 2014 

A avaliação de Toffoli é de que todos os candidatos que, hoje, disputam as eleições, têm conhecimento sobre o processo eleitoral. “Tenho certeza que eles têm clareza de que o respeito às regras do jogo faz parte da possibilidade de uma vitória em um eventual segundo turno. Ninguém vai se arriscar a desafiar a democracia no Brasil. Nós estamos atentos a defender a democracia”, declarou.

O otimismo de Toffoli, no entanto, não encontra amparo nas últimas declarações do candidato Jair Bolsonaro (PSL). A candidatura do capitão reformado do Exército protocolou representação no TSE reiterando a possibilidade de fraude às urnas eletrônicas. Acusa, ainda, o PT de disposição para alterar o pleito. O deputado lidera as pesquisas de intenção de voto e o candidato petista, Fernando Haddad, aparece em segundo. Do Correio Braziliense, editado.

“1 milhão de mulheres vão as ruas acertar as contas com Bolsonaro”, diz deputado

O deputado federal Ivan Valente (Psol-SP) usou sua conta no Twitter para reforçar o protesto das mulheres contra o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no próximo dia 29 de setembro no Largo da Batata (SP). “Se o Alexandre de Moraes alivia pro Bolsonaro no STF das denúncias de racismo, as mulheres vão acertar as contas com ele! Dia 29 de setembro, no Largo da Batata, vamos às ruas pra dizer ‘Bolsonaro não'”, afirmou o congressista no Twitter. O grupo do Facebook “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”, criada para combater as ideias misóginas e preconceituosas de Bolsonaro reuniu em poucos dias mais de 1 milhão de seguidoras contra o candidato.

“Se o Alexandre de Moraes alivia pro Bolsonaro no STF das denúncias de racismo, as mulheres vão acertar as contas com ele! Dia 29 de setembro, no Largo da Batata, vamos às ruas pra dizer ‘Bolsonaro não'”, afirmou o deputado federal Ivan Valente (Psol-SP)

Ao citar o ministro do STF, o congressista fez referência à decisão ao voto pela rejeição da denúncia contra o presidenciável do PSL. O julgamento, suspenso há duas semanas, estava empatado em 2 a 2 e coube ao ministro Alexandre Moraes dar o voto de desempate. Já tinham votado a favor de rejeitar a denúncia o relator do caso, ministro Marco Aurélio Mello, e Luiz Fux. Para receber a denúncia e transformar Bolsonaro em réu votaram os ministros Roberto Barroso e Rosa Weber.

A denúncia contra Bolsonaro -líder nas pesquisas de intenção de voto ao Palácio do Planalto- foi oferecida pela PGR em abril e se refere a uma palestra que o candidato deu no Clube Hebraica do Rio de Janeiro, no ano passado. Na ocasião, na avaliação da PGR, Bolsonaro fez um discurso de incitação a ódio e preconceito direcionado a diversos grupos, como culpar indígenas pela não construção de hidrelétricas em Roraima.

Em seu voto de minerva, Moraes entendeu que, por mais “grosseiras”, “vulgares” e que denotam desconhecimento do assunto, as declarações de Bolsonaro não chegaram a extrapolar as garantias da imunidade parlamentar que ele possui.

*Com informações da Agência Reuters

 

‘MULHERES UNIDAS CONTRA BOLSONARO’ JÁ SÃO MAIS DE 1 MILHÃO E VÃO ÀS RUAS

Grupo do Facebook “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”, criada para combater as ideias misóginas e preconceituosas de Bolsonaro reuniu em poucos dias mais de 1 milhão de seguidoras contra o candidato de extrema direita. Com a adesão surpreendente, o grupo pretende realizar atos em diversas cidades do país contra o fascismo e a extrema direita ainda em setembro.

“Então somos 1 MILHÃO, um milhão de vozes que gritam e exigem serem ouvidas, somo um milhão de olhos que miram um futuro que nos contemple, um milhão de braços erguidos pela luta, um milhão de corpos que existem e resistem, de corpos que não aceitam serem violados, deixados de lado. Somos um milhão de MULHERES que não performam o papel de coadjuvantes! SOMOS PROTAGONISTAS, SENHORAS DE NOSSOS DESTINOS! Queremos alguém que nos represente, que esteja de acordo com nossas necessidades, com nossas pautas! Não aceitaremos menos, NENHUMA A MENOS, POIS JUNTAS SOMOS MAIS FORTES!”, escreveu Ludmila Teixeira, uma das administradoras da página.

“O primeiro milhão de mulheres contra o Bolsonaro! É uma marca histórica em meio a tantos retrocessos e perseguições políticas! Estamos muito felizes de poder fazer parte deste momento, não está sendo fácil, mais aos poucos vamos conseguir mudar a realidade. Que esse marco seja também uma homenagem a nossas antepassadas, que com muita luta conseguiram colocar a mulher como ser político dentro da sociedade. Nosso discurso não bate, argumenta, não pune … ensina!”, completou.

O grupo fechado, que aceita apenas mulheres, viu o número de mulheres inscritas na página crescerem mais de 250 mil participantes em menos de 24 horas e recebe cerca de 10 mil pedidos de adesão a cada hora. Diante da procura, o grupo de moderadoras foi ampliado para cerca de 50 pessoas, além das nove administradoras da página.

Segundo uma das administradoras da página, a professora Maíra Motta, “o grupo foi criado para ser uma organização das mulheres contra o fascismo”. Outra colaboradora, Janete Moro, destaca que o grupo agrega mulheres com “uma diversidade de inclinações políticas de maioria no campo da esquerda, com um ponto em comum que é combater Bolsonaro e as forças fascistas promovidas pela mídia golpista”. Segundo as regras postadas no perfil da página não são permitidos discursos de ódio, bullying, promoção, spam ou postagens sobre outros candidatos.

Diante da mobilização, o grupo pretende realizar atos em diversas cidades do país contra o fascismo e a extrema direita. “Mulheres que se opõem à candidatura de Jair Bolsonaro não se calarão. Juntas, diversas, apoiadoras de diversas candidaturas dizem não ao crescimento da intolerância, recusam discursos de ódio, sexistas, homofóbicos, racistas”, diz a convocação para a manifestação marcada para o próximo dia 27, no Largo da Batata, em São Paulo. Mais de 11 mil pessoas já confirmaram que irão participar do evento.

A rejeição de Bolsonaro é grande entre as mulheres. Apesar de liderar a disputa presidencial com 24% das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (10), e possuir 17% da intenção de voto do eleitorado feminino, ele é rejeitado por 49% delas. As mulheres somam 52% do total de eleitores do Brasil.

Bolsonaro, que foi esfaqueado durante um ato de campanha em Minas Gerais, já foi denunciado pelo crime de racismo por ter  usado expressões acintosas e discriminatórias contra vários grupos sociais.

“Fui em um quilombola [sic] em Eldorado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador eles servem mais. Mais de um bilhão de reais por ano gastado [sic] com eles”, disse Bolsonaro durante um evento.

A denúncia, porém, acabou rejeitada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (11). Ele também é processado pela deputada federal Maria do Rosário (PT) por apologia ao estupro. Em 2014, Bolsonaro afirmou que a parlamentar “não merecia ser estuprada”.

O futuro nas mãos do voto feminino

Newsletter de O Globo aos assinantes sobre as próximas eleições:

Na eleição mais indefinida desde a redemocratização, por conta do enorme contingente de indecisos, as mulheres, 52,5% dos eleitores, são um desafio adicional para os candidatos: 80% ainda não escolheram um nome (54% estão indecisas e 26% declaram voto branco ou nulo). Entre os homens, esse índice é de 58%. A saúde é a área considerada prioritária para 46% delas.

“Você tem que maneirar”

Ainda sobre as eleições, a edição deste domingo traz conselhos de quatro colegas da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) para o candidato Jair Bolsonaro. Cadetes em 1977, quatro deles são generais de quatro estrelas na ativa, a mais alta patente do Exército.

Dando as cartas da cadeia

Reportagem revela como Lula, preso há cem dias, continua gerenciando as movimentações políticas do PT. O ex-presidente recebe até gravações das reuniões do partido em sua cela da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. do OExpresso

Bolsonaro é assediado por mulher e se esconde no banheiro do aeroporto.

O pré-candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL-RJ) se “escondeu” dentro do banheiro do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, na tarde desta terça-feira (3/7).

O deputado entrou no banheiro masculino para escapar de uma mulher que disparava palavras contra ele e passou a cercá-lo na sala de embarque do terminal, de acordo com a coluna da jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo. A confusão foi contida e Bolsonaro não registrou ocorrência na polícia.

Inteligência artificial revela as estratégias dos presidenciáveis no Instagram

Lula, Bolsonaro, Marina, Ciro e Alckmim: estudo inédito mostra como cada um deles quer ser visto pelos mais de 50 milhões de brasileiros que utilizam o Instagram

Lula, o “filho do Brasil”, sempre nos braços da multidão. Jair Bolsonaro, o trabalhador, um político em movimento, seja no Congresso, seja em atividades de pré-campanha. Marina Silva, a persistente, a mulher que dá entrevistas, participa de eventos e que gosta de produzir frases de efeito. Ciro Gomes, o “Cirão da massa”, o homem do povo. Geraldo Alckmin, o político que faz, o candidato com realizações concretas para mostrar.

Essas são as imagens que os candidatos líderes das pesquisas presidenciais tentam projetar por meio de uma das principais mídias sociais, o Instagram, que é acessado mensalmente por mais de 50 milhões de usuários brasileiros. As conclusões são de um estudo inédito, que concilia rigor acadêmico com técnicas de inteligência artificial e computação visual, a análise revela diferenças importantes entre os presidenciáveis.

Para produzir o trabalho Em busca do melhor ângulo: a imagem dos presidenciáveis no Instagram – uma análise quanti-qualitativa com inteligência artificial, o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (Ibpad) analisou todas as imagens publicadas neste ano no Instagram por Lula (PT) – cuja condenação e prisão na Operação Lava Jato põem sua pré-candidatura em xeque –, Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB).

“A gente aplica a inteligência artificial para analisar e descobrir objetos e conceitos que por vezes ficam subjacentes. O objetivo é analisar estratégias e quais tipos de elementos os pré-candidatos a presidente estão utilizando para se posicionar no período pré-eleitoral”, explica o coordenador do projeto e diretor de Pesquisa em Comunicação do Ibpad, Tarcizio Silva. “Por exemplo, o Alckmin é o que mais publica sobre iniciativas, de fato. O Lula é quem mais publica fotos de multidão, fotos com o povo. Conceitos de militarismo estão associados a Bolsonaro, ele utiliza isso de forma estratégica”, acrescentou Tarcizio, que é mestre e doutorando em Comunicação.

Nada é por acaso

O estudo parte do pressuposto de que não há escolhas aleatórias quando se trata de postagem em redes sociais. “Queremos comunicar aos espectadores controlando – na medida do possível – o modo pelo qual seremos enxergados pelo público. No caso de políticos, esse controle é – ou deveria ser – muito mais refletido, já que o aparato imagético publicado na internet ajuda a formar a sua figura pública”, diz o relatório.

Faz mais de uma década que as mídias sociais têm relevância, e relevância crescente, no complexo de comunicação que envolve as campanhas políticas no Brasil e no mundo. Plataformas como Facebook, Twitter e Youtube são usadas para criar uma linha de contato mais direta entre candidatos e público. O uso eleitoral do Instagram é fenômeno mais novo, assim como a própria plataforma. Nesse aspecto, o estudo explora uma área de investigação incipiente no país. Incipiente e reveladora.

O Instagram, aponta o pesquisador sueco Kirill Filimonov, tem sido cada vez mais usado estrategicamente em campanhas políticas com os objetivos de: 1) disseminar mensagens; 2) mobilizar eleitores; 3) gerenciar a imagem do candidato e; 4) amplificar e complementar outros canais de comunicação direta com os eleitores.

Para analisar as postagens dos pré-candidatos a presidente, os especialistas do Ibpad usaram um recurso de inteligência digital desenvolvido pelo Google, o Google Vision. A ferramenta permite “ler” expressões faciais e reconhecer os elementos presentes em uma imagem, como objetos, lugares, ações, pessoas e marcas. Uma das suas vantagens é que ela possibilita agrupar, por similaridade, grande quantidade de imagens com mais precisão e muito mais velocidade do que um ser humano é capaz. Feito o agrupamento, entra em ação a inteligência humana, insubstituível na interpretação dos dados visuais e textuais.

(Um parêntesis breve pros nerds na escuta. Da coleta à análise final, os pesquisadores do Ibpad usaram, além do Google Vision API, as seguintes ferramentas: Netlytic, LibreOffice, Notepad++, Gephi Memespector, ImagenetPlotter, Inkscape e, claro, Python).

O quinhão de cada um(a)

Rede social favorita de alguns milhões de brasileiros, sobretudo dos estratos populacionais urbanos mais jovens, o Instagram é um território em que o deputado militar Jair Bolsonaro demonstra grande vantagem sobre os seus concorrentes. Dos pré-candidatos à Presidência da República, ele é o único que acumula mais de 1 milhão de seguidores no Instagram.

Lula, o segundo colocado, tem menos de 260 mil seguidores. Marina, Ciro  e Alckmin ficam com números entre 95 mil e 120 mil.

O ex-governador de São Paulo é quem mais publica. Foram 514 posts nos primeiros cinco meses de 2018. Ciro foi o menos presente no Instagram: publicou apenas 16 imagens no mesmo período.

Veja a seguir como saem (literalmente) na foto os presidenciáveis que lideram as pesquisas.

Bolsonaro – contra os políticos


Líder no Instagram tanto em número de seguidores quanto em engajamento, Jair Bolsonaro é, dos cinco, o que deixa mais claro que está em plena campanha. Conforme o Ipad, ele “utiliza seu perfil no Instagram para mostrar trabalho, sendo frequentes pronunciamentos sobre questões importantes para seu eleitorado, imagens de eventos da pré-campanha e fotografias de momentos de trabalho do parlamentar”.

Mas o deputado também privilegia registros que põem em evidência a sua popularidade. Imagens mostrando mobilização popular ou o seu contato com simpatizantes são comuns. Também fica claro o pouco apreço que o parlamentar demonstra em relação a outros políticos. Quando são mencionados, ainda que de forma indireta, eles sofrem críticas. Os dois políticos mais criticados em seu perfil são Lula e Alckmim. Os posts de Bolsonaro trazem ainda referências constantes ao Exército, à bandeira nacional e à ideia de autoridade que o candidato pretende encarnar.

Tarcizio, o coordenador do estudo, enfatiza que isso é “elemento distintivo” nos posts de Bolsonaro. Somente neles, aparecem coisas que remetem à ideia de militarismo, como fardas e referências ao Exército. Perfis ligados ao Exército e ao PSC (partido conservador cristão ao qual o deputado foi filiado) também estão na rede de usuários que gravitam em torno de Bolsonaro.

* Fonte: Ibpad

Lula – gente como a gente


Segundo a pesquisa, Lula aposta numa abordagem mais “humanizadora” da sua figura, utilizando-se principalmente do seu carisma pessoal e de sua capacidade de causar comoção popular como “combustível para reforçar a sua imagem de ‘filho do Brasil’”. Ou seja, de um cidadão comum que, chegando ao poder, não perdeu suas raízes nem o compromisso com a maioria pobre da nação.

No Instagram, as imagens postadas no perfil de Lula são abundantes em registros sobre manifestações populares, contatos com fãs e com a militância do PT. Também há muitas fotos mostrando o apoio que o ex-presidente recebeu antes de ser preso, em 7 de abril. Imagens de campanha e de aliados políticos, além de fotos com familiares e registros de sua trajetória de vida, também são constantes no perfil do petista. “A mobilização popular em torno da figura de Lula reuniu diversas imagens de fãs, eleitores e simpatizantes em imagens de apoio – principalmente após a sua prisão. Menos frequente, mas ainda proeminente, foi o endosso de artistas/pensadores”, afirma o estudo.

* Fonte: Ibpad

Ciro – o menos conhecido


No caso de Ciro Gomes, três são os eixos principais de sua apresentação na rede social: atos de campanha/contato com simpatizantes, posicionamentos político-ideológicos e registros com a família.

“Ciro Gomes, que adotou em estratégia populista também o cômico apelido de ‘Cirão da Massa’, utiliza seu perfil no Instagram para reforçar a imagem de homem do povo. Seja em interação direta com eleitores ou em eventos políticos, o deputado está sempre em contato com o público”, observa o estudo do Ibpad.

A pesquisa também destaca que ele é, dos cinco presenciáveis analisados, o menos conhecido pelo público. Daí, suspeitam os pesquisadores, “a presença de várias imagens do candidato com membros da sua família”, o que o Ibpad interpreta como “uma estratégia para aproximar o candidato do seu público”.

* Fonte: Ibpad

Marina – a persistente


Trajetória política, contato com apoiadores e registros familiares são a tônica das imagens publicadas no perfil da ex-senadora, ex-ministra do Meio Ambiente e idealizadora da Rede.

“Marina Silva demonstra sua persistência também no Instagram: o perfil da senadora consiste, majoritariamente, em imagens com foco na campanha, seja em frases de efeito, posicionamento político e/ou atividades de trabalho (entrevistas, eventos etc.)”, aponta o relatório do Ibpad.

O tom das postagens é, em geral, de conclamação à militância. Alguns posts, por exemplo, buscavam mobilizar a sociedade pelo fim do foro privilegiado, que dá a um grupo restrito de autoridades – incluindo parlamentares federais e ministros de Estado – o direito de ter os seus crimes julgados exclusivamente pelo Supremo Tribunal Federal (essa regra foi revista recentemente e agora o STF só julga casos ocorridos durante o exercício do mandato).

* Fonte: Ibpad

Alckmin – gente que faz

O ex-governador paulista Geraldo Alckmin é o presidenciável mais ativo no Instagram. Publica mais do que qualquer outro dos seus principais adversários, mas perde de todos eles em termos de média de engajamento por post.

Ele valoriza, acima de tudo, sua experiência como gestor. “Geraldo Alckmin exibe no Instagram diversas iniciativas e realizações que promoveu enquanto líder do estado. São imagens que reafirmam a eficiência do seu governo, tanto empírica (fotos em obras visitas, etc) quanto imageticamente (ilustrações com mensagens informativas)”, destaca o estudo.

A ideia é passar o conceito de que o político, que governou São Paulo por quatro vezes, está #preparadoparaobrasil, conforme a hashtag que ele utiliza. Fotos com eleitores são bem mais raras em seu perfil no que de outros candidatos. Quando aparecem, elas cumprem a função de humanizar o candidato e de retratá-lo “em situações cotidianas e mais mundanas”, acentua o Ibpad.

*Fonte: Ibpad

Jesus está bem demais de amigos!

Bolsonaro: incitação ao estupro, misoginia, xenofobia, apologia à tortura e ao racismo.

Flávio Rocha: condenado por trabalho escravo.

Magno Malta: indiciado na Máfia dos Sanguessugas.

“Bispa” Sonia Hernandes: estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Gilmar Mendes, Bolsonaro, Huck, Lula, Cunha, Temer… as “vítimas” das marchinhas do Carnaval 2018

No país onde a realidade surpreende constantemente a ficção, a política é grande fonte de inspiração para a maior festa pagã. Em todo Carnaval é assim: a tragédia política brasileira se repete na farsa de marchinhas bem-humoradas e provocativas. A sátira persegue, principalmente, quem está em maior evidência no momento.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Michel Temer, o ex-presidente Lula, o pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL-RJ), o apresentador Luciano Huck, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), e o empresário Joesley Batista estão entre as figuras lembradas. Evidentemente que há muito mais por aí. Outras devem ganhar os clubes e as ruas nos próximos dias. O blog Caso de Política apresenta, a seguir, uma seleção de marchinhas políticas para 2018. No vídeo de cada uma delas é possível ver a respectiva autoria:

Alô, alô, Gilmar

Habeas corpus do Barata

É melhor Jair, já ir embora

Bolsonaro e a Marchinha da Turma do Fuzil

Marchinha do Luciano Huck

Tio Lul lá no xilindró

Tem que manter, isso, viu…

Temer e a reforma da Previdência

Joesley e sua turma: É cana!

O folião, deus e o prefeito

Hino do Botafogo da lista da Odebrecht

Moreira Franco, o meu angorá

Libera o Cunha, Doutor!

Os eleitos e os eleitores reclamões. Constatações verdadeiras.

De um internauta:

O povo do Rio de Janeiro elegeu e reelegeu os deputados Eduardo Cunha, Jair Bolsonaro e Cristiane Brasil.

O povo de São Paulo elegeu e reelegeu Paulo Maluf, Tiririca e Marco Antônio Feliciano.

E depois gritam alto que 0 Nordeste não sabem votar.

Bolsonaro propõe cuidar de “cáries” para evitar “bebês prematuros”.

O deputado federal Jair Messias Bolsonaro (PSC-RJ), segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para a presidência da República Federativa do Brasil em 2018, falou em entrevista coletiva na cidade de Manaus (AM) realizada no última quinta-feira (14) sobre suas propostas para a área da saúde caso seja eleito. A fala que beirou o nonsense não teve repercussão na mídia tradicional mas desde segunda-feira (18) que o vídeo com suas ideias “clínicas” está circulando com força nas redes.

Ele disse que, como os gastos como neonatal no Brasil são “altíssimos”, vai encaminhar as mulheres grávidas, já no pré-natal, a um dentista. O objetivo: evitar que elas tenham cáries e, por consequência, partos prematuros.

“Uma criança que nasceu precocemente tem um gasto altíssimo no neonatal. E por que temos muito prematuro no Brasil? A primeira questão, segundo diz os médicos, é uma questão de cárie. Então, quando for fazer o pré-natal, a ideia é já mandar para um dentista”, disse.

Médicos tem a infecção dentária como um dos motivos que podem causar um parto prematuro – mas não chega a ser o principal deles. O que mais causa partos prematuros no Brasil é a má formação do feto logo no início da gestação e histórico de pressão alta da mãe.

Em sua curta fala sobre o tema saúde, o deputado federal ainda falou sobre o Acidente Vascular Cerebral (AVC) e como cortar os gastos sobre esse tipo de tratamento. Sua ideia é “contratar profissionais de Educação Física” para “tirar a pressão” das pessoas e detectar hipertensão.

Assista:

Lula se consolida em 1º e Bolsonaro se fortalece no 2º lugar, diz Datafolha.

Lula tem 34% das intenções de voto no principal cenário; em simulação de segundo turno com Bolsonaro, Lula aparece com 51%

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está fortalecido em primeiro lugar em um novo levantamento para as eleições de 2018 feito pelo Datafolha e divulgado neste sábado (2). O petista aparece com 34% da preferência dos eleitores no principal cenário.

A pesquisa mostra também que Jair Bolsonaro (PSC) se consolidou em segundo lugar e aparece isolado na posição com 17% das intenções de voto.

Na sequência, Marina Silva (Rede) – que neste sábado lançou pré-candidatura à Presidência – ocupa o terceiro lugar com 9%, seguida por Geraldo Alckmin (PSDB) com 6%, mesma porcentagem de Ciro Gomes (PDT).

Os números também apontam: Joaquim Barbosa (sem partido) 5%, Alvaro Dias (Podemos) 3%, Manuela D’Ávila (PCdoB) 1%, Michel Temer (PMDB) 1%, Henrique Meirelles (PSD) 1% e Paulo Rabello de Castro (PSC) 1%.

As intenções de voto branco/nulo, assim como em pleitos anteriores, são significativas:

12%. Outros 2% disseram não saber em quem votar.

Segundo turno

O ex-presidente Lula lidera também os cenários de simulação de segundo turno. Com Bolsonaro, por exemplo, Lula tem 51% das intenções de voto, contra 33% de seu virtual adversário.

Em uma hipotética disputa com Marina Silva no segundo turno, porém, a porcentagem a favor do petista cai para 48%, enquanto a candidata do partido Rede surge com 35%.

Contra Alckmin, Lula volta a subir nas intenções de voto com 52% se disputasse o segundo turno com o tucano, que aparece com 30% neste cenário.

Sem Lula

O Datafolha fez ainda um levantamento sem o ex-presidente Lula concorrendo à presidência. No principal cenário, Jair Bolsonaro tem 21% das intenções de voto, seguido por Marina Silva (16%), Ciro Gomes (12%) e Alckmin (9%).

Condenado a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso envolvendo o tríplex do Guarujá, no litoral de São Paulo, Lula pode ter sua candidatura barrada se a pena do juiz Sérgio Moro for confirmada em segunda instância.

Como a decisão cabe recurso, o Partido dos Trabalhadores crê que é possível manter seu principal candidato na briga pela Presidência ao menos até o pleito.

O instituto Datafolha fez 2.765 entrevistas entre 29 e 30 de novembro em 192 cidades. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.

Dória e Bolsonaro tem popularidade alimentada pelo ódio à política.

Doria e Bolsonaro: nunca a política esteve em simbiose tão profunda com o marketing

Não sei se todos os leitores assistiram à série Black Mirror. Àqueles que não, recomendo, pelo que diz sobre as formas de dominação política na era das redes sociais. Há nela um episódio especialmente ilustrativo, chamado Momento Waldo.

Waldo foi uma criação virtual, feita para um programa de humor, que atacava os políticos num misto de agressividade e ironia. Levava seu público ao delírio com pegadinhas que encurralavam os “convidados”, destruindo qualquer margem para uma resposta racional.

Pesquisas mostraram a força do “fenômeno Waldo”. Tornou-se candidato – ele mesmo uma criatura virtual – com um discurso fácil de desmoralização da política e do debate. O fenômeno ganhou o mundo, passando por cima de seu criador e de qualquer escrúpulo.

Nunca a política esteve em simbiose tão profunda com o marketing e o espetáculo. Cada gesto é medido de acordo com sinais de audiência, grupos de pesquisa qualitativa e potencial de viralização nas redes.

Essa estereotipação da política foi responsável por acelerar o descrédito dos sistemas de representação “democrática” em todo o mundo. Vivemos uma crise de representatividade em escala global. Só num contexto como este é possível compreender como um bufão, apresentador de reality show, pôde tornar-se presidente dos Estados Unidos.

Trump e Waldo são o mesmo fenômeno. Na esteira da antipolítica, Trump ganhou as eleições, diferenciando-se dos candidatos com “discurso ensaiado”, do “politicamente correto”. Esta lógica desafiou os marqueteiros tradicionais: quanto mais disparates dizia, mais crescia nas pesquisas.

Ao misturar um discurso de senso comum com boas doses de machismo e xenofobia, construiu sua campanha vitoriosa. É evidente que não foi apenas isso. Trump soube mexer com ressentimentos profundos dos norte-americanos, mas sobretudo mostrou que a agressividade e a intolerância podem ser um trunfo para diferenciar-se do político bom moço, padronizado.

Ou seja, a antipolítica não é em si libertadora. Pode ser a porta de entrada do fenômeno Waldo. No Brasil, Waldo pode ser Jair Bolsonaro, ou João Doria, ou qualquer outro que venha a aparecer. A mesma lógica do espetáculo que acentuou a crise de legitimidade da política oferece sua saída trágica para ela.

Por outro lado, esta crise é expressão de frustrações reais e justificadas com as formas de representação. No caso brasileiro, temos um sistema político em pandarecos, incapaz de responder às demandas da maioria da sociedade.

A Nova República, inaugurada com a Constituição de 1988, faliu. Desmoronou por ter se demonstrado incapaz de promover democracia social, bloqueando o necessário enfrentamento aos escandalosos privilégios da casa-grande. E faliu também por ver expostas em praça pública suas entranhas, as engrenagens de funcionamento para a construção de maiorias políticas.

Waldo, de Black Mirror, a criação virtual feita para um programa de humor

O regime político da Nova República ainda vigora, é verdade. Aliás, mediante um governo que expressa da maneira mais acentuada as razões de seu fracasso. Não tem mais, porém, a capacidade de promover a coesão da sociedade. Perdeu hegemonia. Numa situação de transição como esta, há o risco de uma “solução Waldo”, mas também se abre a possibilidade de saídas mais interessantes.

A construção de uma alternativa de radicalização democrática, que ouse colocar o enfrentamento aos privilégios da elite econômica e política e, ao mesmo tempo, construa novas formas de participação, pode ser capaz de canalizar a rejeição à política para caminhos efetivamente libertadores.

Foi neste registro, por exemplo, que o Podemos floresceu como alternativa na Espanha diante do mesmo cenário de crise de representação, ali materializada no movimento dos Indignados.

Nesta encruzilhada, a esquerda brasileira tem duas opções. Pode combater a desmoralização da política, defendendo os valores do regime, reivindicando apenas a retomada da normalidade. Se o fizer, como esquerda da ordem, perde capacidade de dialogar com o sentimento difuso de rejeição à política, deixando que essa corrente de insatisfação deságue toda na direita.

Ou pode reinventar-se, trazendo ao horizonte um programa ousado de enfrentamento a privilégios e uma proposta de radicalização democrática como saída à crise da Nova República. Só assim poderá ser capaz de canalizar parte da onda antipolítica.

Não se fala aqui apenas da próxima eleição. Trata-se da disputa do projeto de País para as próximas décadas. Ou a esquerda se reinventa ou talvez tenha de assistir à solução Waldo cativar a maioria da sociedade brasileira.

Na calada da noite, Câmara aprova emenda para acabar com a Lava Jato.

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Por 313 votos a favor e 132 votos contra, a Câmara dos Deputados aprovou, às 01:23 da manhã desta quarta (30), uma emenda às “10 medidas contra a corrupção” (aprovadas por 450 votos a favor e 1 contrário) que define a previsão de “crimes de responsabilidade” para juízes e membros do Ministério Público.

A ampla votação dos deputados a favor da medida não tem a preocupação de garantir que todos sejam atingidos pela lei. O foco da medida, como apontado por políticos contrários e à favor da medida durante a sessão, é claro: permitir que Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e demais membros da operação Lava Jato que aterroriza centenas de políticos possam ser colocados no banco dos réus, praticamente acabando com a Lava Jato.

Uma das maiores defensoras da aprovação da medida durante a sessão foi Clarissa Garotinho, filha de Anthony Garotinho, que chegou a ser preso na semana passada pela acusação de compra de votos em campanhas eleitorais.

O projeto das “10 medidas contra a corrupção”, juntamente com a emenda aprovada, segue para votação no Senado, ainda sem data prevista.

Veja aqui a lista completa de votos por deputado e partido.

Bomba: lista de Furnas joga mais lama no caos político.

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