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Associação Brasileira de Câmaras de Vereadores questiona visão do TCE sobre 13º salário.

O diretor jurídico da Associação Brasileira de Câmaras de Vereadores (ABRACAM), César Rômulo Rodrigues Assis em artigo questiona o posicionamento do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) que através do comunicado SDG n° 030/2017 não reconhece o pagamento imediato do 13º salário para os vereadores.

No texto Rômulo Rodrigues Assis faz análise acerca do artigo 29, inciso VI da Constituição Federal.

Segundo julgamento pelo pleno do Supremo Tribunal Federal STF, o direito ao décimo terceiro salário é constitucional. Segue abaixo a íntegra do artigo de Rômulo Rodrigues Assis. 

COMO PAGAR O 13 SUBSÍDIO NESTE ANO AOS AGENTES POLÍTICOS MUNICIPAIS

As Câmaras Municipais, deverão atender o inciso VI do artigo 29 da Constituição Federal: “ o subsídio dos Vereadores será fixado pelas respectivas Câmaras Municipais em cada legislatura para a subsequente, observado o que dispõe esta Constituição, observados os critérios estabelecidos na respectiva Lei Orgânica e os seguintes limites máximos:

Observa-se que o texto constitucional, não proíbe o reajuste dos subsídios durante a legislatura, de acordo o que dispõe o inciso X do artigo 37 da Constituição Federal que assim determina: “ a remuneração dos servidores públicos, e o subsídio de que trata o &4º do artigo 39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada a revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices;

Observa-se pelo que expõem os dispositivos acima, que não há proibição da alteração dos subsídios durante a legislatura e ao contrário, garante-se o reajuste anual, dentro dos limites constitucionais, significando que o princípio da anterioridade se aplica apenas nos casos de fixação e não de reajuste ou alteração dos subsídios dos parlamentares.

O Plenário do Supremo Tribunal Federal em julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 650898, com repercussão geral reconhecida, decidiu no sentido de que o pagamento de abono de férias e 13º subsídio a prefeitos e vice-prefeitos não é incompatível com o artigo 39, parágrafo 4º, da Constituição da República, sendo que as férias e um terço de férias mais o 13º são direitos de todos os trabalhadores, inclusive dos agentes políticos.

Assim, por ser o julgamento do STF definitivo e com repercussão geral, o que significa que TODOS os Tribunais do País (de Justiça e de Contas) devem obedecer tal à decisão por força do que diz o NCPC no Art. 489. (…).

“§ 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que:

(…)

VI- Deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. ”

O direito à percepção do 13º subsídio e das férias com acréscimo de um terço do seu valor, é assegurado a todos os agentes políticos brasileiros, e nos municípios vale para Prefeito, Vice, Secretários e Vereadores.

Para terem direito à percepção desses benefícios, em particular o 13º subsídio, que poderá ser pago no atual exercício financeiro de forma proporcional a partir de fevereiro do corrente ano (data do julgamento do STF), devem as Câmaras Municipais, alterarem a Lei Orgânica do Município, incluindo tais direitos dos agentes políticos como critério para a percepção dos benefícios, de acordo com o que dispõe o inciso VI “in fine” do artigo 29 da Constituição Federal.

Muitos Tribunais de Contas já têm se manifestado a favor de tais recebimentos, por força dos precedentes estabelecidos pelo novo Código de Processo Civil, a exemplo do que se transcreve abaixo:

TCE-MS – CONSULTA MS 880278 (TCE-MS)

Ementa: EMENTA RELATÓRIO-VOTO EM REEXAME. CONSULTA. PREENCHIMENTO DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. PREFEITO, VICE-PREFEITO E VEREADORES. AGENTESPOLÍTICOS. POSSIBILIDADE DE RECEBIMENTO DE 13º SALÁRIO E DE LEI REGULAMENTADORA EM SENTIDO FORMAL, DISPENSADA A OBSERVÂNCIA AO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE. NO CASO DE VEREADORES, INSTITUIÇÃO MEDIANTE LEI EM SENTIDO FORMAL OU MATERIAL (RESOLUÇÃO) DE INICIATIVA DO PODER LEGISLATIVO, OBRIGATÓRIA, EM AMBOS OS CASOS.

Conclusão: Podem os Agentes Políticos Municipais (Prefeito, Vice, Secretários e Vereadores) receberem o 13º subsídio proporcional neste ano (a partir do mês de fevereiro), e integral nos seguintes, desde que obedeçam os limites constitucionais estabelecidos pelos inciso VI e VII do artigo 29 , combinado com o artigo 29-A, todos da Constituição Federal, e os critérios estabelecidos na Lei Orgânica do Município, o que lhes assegurará a desnecessidade do cumprimento do princípio da anterioridade neste caso, garantido pela autonomia do Município, assegurada pelo artigo 18 da Constituição Republicana.

César Rômulo Rodrigues Assis é Advogado, Contabilista, Administrador, Pós-Graduado em Direito do Trabalho e Previdenciário, Especialista em Direito do Estado, Mestre em Direito Público Municipal, Diretor Jurídico do IBAC, Diretor Jurídico da ABRACAM-DF, Consultor Jurídico do INTERLEGIS (SENADO FEDERAL). Autor dos Livros: Prática do Processo Legislativo Municipal, Sua Excelência o Vereador, A Gestão Contábil da Câmara Municipal e O Prefeito e a Moderna Administração Municipal. A Lei Orgânica do Município Comentada e Eleições Municipais 2012

Tribunais de Contas do país divergem sobre 13° para prefeitos, vices e vereadores.

Se por um lado o Tribunal de Contas de São Paulo (TCE-SP) discordou sobre o pagamento imediato do 13° salário para prefeitos, vices e vereadores, o Tribunal de Contas da Bahia acatou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e normatizou os pagamentos.

Segundo o Tribunal baiano, a nova jurisprudência do STF (ver aqui), os agentes políticos municipais vão receber décimo terceiro e férias, fora os benefícios que já recebem por conta do cargo que ocupam. Contudo, o Tribunal de Contas da Bahia alerta para o cuidado no cumprimento da lei de responsabilidade fiscal com relação à folha de pagamento que é de 54% para as prefeituras e 70% paras Câmaras de Vereadores.

Ainda conforme apontou o Tribunal de Contas da Bahia, o reconhecimento do STF referente aos direitos dos políticos que atuam na área municipal não tira a obrigação dos municípios de ter uma lei local que disponha sobre as parcelas de pagamento.

Já o Tribunal de Contas de São Paulo, confrontando a decisão do Tribunal máximo do país, entende que os municípios deverão observar o princípio da anterioridade previsto no artigo 29, inciso 4° da Constituição Federal se opondo ao que foi determinado pelo STF que menciona constitucionalidade sobre o direito mencionando em sua decisão o artigo 39, inciso 4° da Carta Magna. Clique aqui e leia a íntegra da matéria.

Tribunal de Contas frustra expectativa de 13° para vereadores, vices e prefeitos. Decisão pode conflitar com decisão do STF.

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE) em comunicado SDG n° 030/2017 dirigido a todas as Câmaras de vereadores do Estado, alerta que eventuais Leis autorizadas de concessão de décimo terceiro salário à vereança, baseados na decisão do Supremo Tribunal Federal deverão observar o princípio da anterioridade previsto no artigo 29, inciso VI da Constituição Federal.

Com o entendimento do TCE, abre-se uma polêmica hercúlea uma vez que na decisão do STF, os ministros tiveram o entendimento de que a decisão tomada por aquele colegiado não fere o artigo 39, inciso 4° da Constituição Federal. para acompanhar a decisão do STF clique aqui.

Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política de administração e remuneração de pessoal, integrado por servidores designados pelos respectivos Poderes. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (Vide ADIN nº 2.135-4)

4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

Prefeitura de Ribeirão em crise financeira, encontra dificuldades para honrar salários e 13º.

Após uma série de questionamentos feitos por servidores de Ribeirão Pires, temerosos sobre comentários de que a prefeitura poderia dar o calote no pagamento dos salários do mês de dezembro que vencem no próximo dia 31 e sobre o 13º salário que deverá ser pago no próximo dia 20, o Repórter ABC/Caso de Política entrou em contato com o prefeito Saulo Benevides que admitiu as dificuldades.

Segundo o alcaide “a prefeitura aguarda os repasses por parte do governo Federal. Estamos passando por certa dificuldade em função da queda na arrecadação mas estamos priorizando os serviços essenciais e contínuos”, disse.

Fontes nos repassam que com relação ao 13º salário, “a metade dos 50% já está garantida e disponível, mas a dúvida está sobre os salários”.

Entre os servidores, o receio se baseia do fato de que o dia 31 de dezembro (prazo limite para o depósito dos salários) cair num sábado e o próximo dia útil ser 02 de janeiro, data em que a administração municipal deverá estar sob novo comando.

Procurada a direção do Sineduc, a entidade sindical que representa trabalhadores municipais, disse que: “essas questões de salário dos servidores e verbas indenizatórias comprometem a sobrevivência de famílias. Esperamos que tudo se resolva para que a situação não prejudique os trabalhadores e também a economia local”.

Prefeitura parcela 13º salário e provoca reação do Sineduc.

Prefeitura-de-Ribeirão-Pires-Legenda

Os servidores municipais de Ribeirão Pires tiveram suas expectativas frustradas nesta sexta-feira ao perceberem valores menores em suas contas referentes ao 13º salário. Foram inúmeros contatos a nossa redação informando que somente 25% dos valores débitos estavam disponíveis nas contas correntes.

Em contato com a Secretaria de Comunicação, o titular da pasta, Thiago Quirino reconheceu o fato e esclareceu: “Hoje foi pago ¼ do Décimo Terceiro com a previsão de se pagar o restante no seguinte (15 de julho). A ação de dividir esse pagamento se deu por conta da baixa arrecadação do município”, justificou o secretário.

Questionado a entidade de classe dos trabalhadores, fomos atendidos por telefone pela presidente Perla de Freitas. “Novamente essa administração demonstra total falta de respeito para com os trabalhadores. O prefeito é especialista em descumprir lei a exemplo do nosso dissídio que teve legislação de sua autoria. Dessa vez, ele consegue quebrar um ciclo positivo de gestões anteriores e pela primeira vez os trabalhadores ficam sem os 50% conforme preceitua o Estatuto dos Servidores Públicos de Ribeirão Pires”.

O estatuto dos Servidores Públicos de Ribeirão Pires foi criado em 17/12/1998 pela Lei Municipal nº 4.217. Abaixo o artigo que trata do tema específico.

Art. 61. O décimo-terceiro salário, será pago em duas (2) parcelas.

  • 1º A primeira parcela, correspondente à metade:

I – Será depositada até o último dia útil do 1º (primeiro) semestre;

II – por opção expressa do funcionário, a partir do mês de Fevereiro, por ocasião de suas férias.

III – a pedido expresso do funcionário e a qualquer momento, nos casos de emergência como:

  1. a) doença grave em pessoa da família;
  2. b) falecimento em família;
  3. c) despesas necessárias em virtude de caso fortuito ou força maior (art. 1.058, parágrafo único, do Código Civil Brasileiro).
  • 2º O pedido do funcionário a que se refere o item anterior, deverá ser encaminhado por intermédio de requerimento, com motivação fundamentada, ao órgão de pessoal, que no prazo de quinze (15) dias deliberará sobre o seu deferimento.
  • 3º O pagamento da segunda parcela do décimo-terceiro salário, correspondente a segunda metade, ocorrerá até o dia vinte (20) de Dezembro de cada ano.

A legislação que versa sobre a citada “gratificação natalina”, também denominada 13º salário, prevê que todos os “empregadores” deverão conceder a gratificação natalina aos servidores até o último dia útil do 1º (primeiro) semestre. Neste contexto, é imprescindível que sejam observadas rigorosamente as regras que norteiam o pagamento da gratificação natalina, minimizando assim, problemas com a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego ou demandas perante a Justiça. Luís Carlos Nunes