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Maranhão diz não se arrepender de apoio à França e que Rio Grande está em primeiro lugar.

O prefeito de Rio Grande da Serra, Gabriel Maranhão (sem partido), afirmou que não se arrepende da declaração de apoio a reeleição do governador Márcio França. A fala aconteceu na última na última segunda-feira (1º de maio) durante Sessão Solene da Câmara municipal da cidade que ocorreu no Teatro municipal da comuna.

“Estou aqui para dizer que o meu partido é a cidade de Rio Grande da Serra, porque a população me deu, pela segunda vez, a honra de eu estar aqui administrando. Tenham certeza que até o meu último dia do mandato vou colocar os interesses de Rio Grande a frente, mesmo que isso venha ferir a minha história política”, discursou o prefeito, reafirmando o apoio ao governador Márcio França.

Em outro trecho Maranhão disse que foi critica por algumas pessoas, quando em 2014 apoiou a reeleição da presidente Dilma Roussef.

“Fui muito criticado por ter apoiado a reeleição da Dilma. Mas o meu compromisso é com Rio Grande da Serra. Foi graças ao apoio que dei a ex-presidente que hoje a cidade recebe diversos recursos do PAC através do Governo Federal,” argumentou.

Conforme publicado aqui no Caso de Política (ver aqui) o prefeito Gabriel Maranhão foi expulso pelo Presidente Estadual do PSDB, Pedro Tobias, após a sua declaração de apoio a reeleição do governador Márcio França.

O prefeito recorreu da decisão em Instância Nacional da agremiação, acusando Pedro Tobias de ter agido de forma ilícita e violando o Estatuto do PSDB ao determinar a expulsão sumária do recorrente, sem concessão do imprescindível direito de defesa.

Ainda em sua defesa enviada ao Presidente Nacional do partido, Geraldo Alckmin, Gabriel Maranhão pede a anulação imediata da expulsão e o afastamento da Direção Estadual da sigla. Isso porque sua conduta, ao determinar a expulsão de diversos filiados sem conceder sequer o constitucional direito à ampla defesa e usurpando poderes da comissão de ética e de diretórios municipais, assim como do próprio Diretório Regional, demonstra o perigo a democracia interna em nosso Partido.

Seguindo a defesa, é dito que “apenas após definição em convenção partidária é que surgiria o dever de apoiar o candidato escolhido pelo órgão competente, razão pela qual o Presidente do PSDB/SP cerceou a verdadeira organização e mobilização partidária. ‘Prévia’ não garante o direito legal ou estatutário de qualquer filiado ser candidato. Prévia não é Convenção, não obtendo a mesma extensão legal por não ter a mesma natureza jurídica”.

O vereador Bibinho (PSDB), presente a sessão Solene, em solidariedade ao alcaide. “Se expulsaram o prefeito por ele ter apoiado o governador Marcio França (PSB), terão que me expulsar também. A política tem que ser feito com seriedade e antes de tomarem essa atitude absurda, deveriam antes ter aberto o diálogo”, afirmou o tucano.

Expulsão de Maranhão pode causar efeito manada no PSDB. Partidos disputam sua filiação.

A expulsão do prefeito Gabriel Maranhão a pedido do presidente estadual do PSDB, o deputado estadual Pedro Tobias pode se reverter em imenso “efeito manada” no ninho tucano com grande número de vereadores já externado publicamente solidariedade ao prefeito e declaração de apoio à candidatura de reeleição de Márcio França ao Palácio dos Bandeirantes.

Segundo fontes ligadas ao Paço de Rio Grande da Serra, “nesta terça-feira o prefeito recebeu inúmeras ligações de solidariedades de políticos do PSDB que apoiam a decisão de apoio a França”, disseram as fontes.

Segundo ainda, “um dirigente da executiva nacional do PSDB, que entrou em contato com o prefeito Maranhão, todo polido e atencioso, tentou amenizar a crise e comunicou que uma reunião está agendada com o PSDB paulista para discutir a atitude do presidente estadual e os efeitos da decisão de expulsão”.

Essa não é a primeira ocorrência de expulsão de politico na região do ABC. O professor Clóvis Volpi, que disputou a eleição para prefeito de Mauá, pelo PSDB, sob a caneta de Tobias, foi expulso da legenda após anunciar apoio no segundo turno ao candidato do PT, Donisete Braga. Volpi terminou o primeiro turno em terceiro lugar, com 20,23% dos votos válidos. Na ocasião, o PSDB estadual indicou o apoio para Atila Jacomussi que foi eleito pelo PSB.

Com a grande repercussão, com considerável número de políticos investidos em cargos eletivos e calçados por volumosas lideranças, será que todo aquele que declarar voto em França será abatido e posto para fora como infiel? Eis a grande pergunta!

De acordo com informações de bastidores, a expulsão de Gabriel Maranhão foi a pedido do prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando em função da postura do prefeito de Rio Grande da Serra que cobrava no seio do Consórcio Intermunicipal do ABC “um debate mais produtivo e ampliado” com relação a políticas públicas para a região.

Morando é conhecido no ambiente político por ter perfil centralizador e vaidoso, sendo avesso a questionamentos e contrariedades.

Gabriel Maranhão administra a menor cidade do ABC em termos de capacidade de investimentos, mas com esses últimos acontecimentos tem demonstrado prestígio e bom trânsito no cenário político.

Uma fonte nos confidenciou de que diversos presidentes de partido procuraram Maranhão abrindo as portas para filiação. Estão entre os cardeais partidário, o deputado Alex Manente, presidente estadual do PPS, o PROS através de seu presidente Ricardo Teixeira e a deputada Federal Renata Abreu do PODEMOS. O PV é outra legenda que se apresentou simpática em ter o alcaide Maranhão em seu quaro de filiados.

Gabriel Maranhão foi convidado pelo governador Márcio França (PSB) para uma reunião – que não consta da agenda oficial – no Palácio dos Bandeirantes nesta quarta-feira (25). No encontro, Maranhão poderá assinar o seu ingresso ao PSB.

Geraldo Alckmin reboca Márcio França para PSDB

Agora é para valer: o governador Geraldo Alckmin bateu o martelo (ou deu o murro na mesa?) para dar um fim no empurra-empurra no ninho tucano estadual paulista: o vice-governador Márcio França vai assinar ficha no PSDB e assim qualificar-se para concorrer à sua reeleição ao governo do Estado. Dória está certo: o partido que domina a Paulicéia desde 2002 terá candidato próprio à sucessão do quarto mandato do atual governador.

A decisão de Alckmin não é regional, mas nacional. Ele deu o xeque ao rei de França na condição de presidente do PSDB, e não como governador do Estado e muito menos como candidato. É uma decisão estratégica.

Alckmin comanda um grande partido. Embora o PSDB padece dos mesmos problemas das demais agremiações, é dos que está melhor estruturado para a competição. Ou seja: se não está melhor, também pior não fica na foto do momento- como dizem os marqueteiros sobre pesquisas quantitativas.

O grande problema dos partidos neste momento não é estas pesquisas das intenções de voto, mas sim de como estender no terreno as suas forças para a grande batalha de outubro. Como nas guerras do século XIX, no tempo da luta corpo a corpo, vence quem melhor aproveitar o terreno. Será o caso desta eleição sem dinheiro, que atenderá à máxima eleitoral que vale desde um pleito municipal até a presidência: sola, suor e santinho (papelucho com foto e dados do candidato, muito comuns no passado). Estas serão as armas neste campo de batalha.

Neste sentido, Alckmin está agindo com mão de ferro: a prioridade é vencer eleições onde for possível. De nada vale gastar pólvora em objetivos inalcançáveis. Nos estados que o partido tiver boas posições, haverá apoio nacional. Nos demais, apenas a marmita para não deixar morrer de fome.

Voltando a São Paulo, Alckmin vai cobrar a conta do prefeito João Dória, que lhe deve reconhecimento e disciplina partidária. Alckmin lembrará ao burgomestre que ele não é tão “dória” quanto pensa que é: sua eleição deveu-se a uma bolha de anti-política que não se repetirá em 2018. A força virá principalmente da mesma máquina partidária que produziu uma alternância de poder clássica em São Paulo.

Dória não é um disco voador. O PSDB sempre teve prefeitos ou candidatos fortes. Ele venceu surfando um momento de marketing, que aproveitou muito bem.

Nos próximos anos deverá provar que é um político de alto nível, com habilidade para compor as forças políticas em sua cidade, capacitando-se para a eleição estadual de 2022. França, como governador reeleito estará fora da disputa seguinte, mas sua máquina vai apoiar o candidato tucano no pleito subsequente.

A adesão de França ao PSDB não significaria um rompimento com o PSB. Pelo contrário, esse partido poderia compor a aliança, contribuindo com sua posição no Nordeste e sua parcela do fundão eleitoral. Este é o problema dos dirigentes partidários: como e para que prioridades distribuir os recursos escassos do financiamento público. Não obstante se ouve na mídia uma gritaria sobre o tamanho exagerado do fundo, a verdade é que corresponde a uma pequena fração do que se gastava em eleições no passado, no tempo das contribuições empresariais. Alckmin sabe que aí está a chave do sucesso.

A verdade é que a eleição terá de ser feita com esse fundo. As empresas têm medo de abrir o caixa dois e os políticos também estão ressabiados do látego da Justiça Eleitoral. A tendência é todo mundo, pelo menos nas disputas majoritárias, ficar dentro do figurino.

Por outro lado, França é admitido no PSDB como um parceiro leal ao governo do partido, liderado por Geraldo Alckmin. Muitos peessebistas dizem que o vice-governador paulista vinha há tempos deixando crescer o bico, tanto que hoje mais parece um tucano do que uma pomba socialista.

Assim sendo, parece que toma forma a máquina “alckmista” para enfrentar o PT e demais forças que estarão no embate. A verdade é que a eleição será disputada por candidatos de grande tradição e experiência política, como Lula, Alckmin, Marina, Ciro e, como não, também Bolsonaro com seus sete mandatos consecutivos de deputado federal.

Aldo Rebelo deixa o PCdoB, vai para o PSB e pode ser vice de Maia caso se confirme a queda de Temer.

Após lançar um manifesto pregando o entendimento nacional para viabilizar a governabilidade do País, o ex-deputado federal e ex-ministro Aldo Rebelo, que era filiado ao PCdoB desde que os antigos proscritos puderam ser legalizados, deixou o partido e filiou-se ao PSB, em articulação comandada pelo vice-governador paulista, Márcio França. Registre-se que durante alguns anos Rebelo e outros membros ou simpatizantes do PCdoB estiveram abrigados no PMDB.

Amigo do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, cotado para ser escolhido em eleição indireta para substituir Michel Temer no comando do País, Rebelo pode vir a ser o vice-presidente, por transitar tanto nos partidos de esquerda quando nos de direita.

A saída dele isola o PCdoB na extrema esquerda, ao mesmo tempo em que o partido já perdeu muito de suas bandeiras ao eleger parlamentares que nada têm a ver com sua história.

Como é cada vez mais provável que Temer não consiga manter-se na Presidência e considerando que Rodrigo Maia é o nome quase de consenso para sucedê-lo, Rebelo pode estar muito próximo de vir a ser vice-presidente.

No âmbito da sucessão paulista, Márcio França pode preferir não assumir o governo no quase certo período de desincompatibilização de Geraldo Alckmin. O presidente da Assembleia Legislativa, Cauê Macris (PSDB), iria para o Bandeirantes e França concorreria para governador; Alckmin quer tentar a Presidência da República, se possível pelo PSDB, mas não necessariamente. Se o caminho para essa pretensão estiver muito congestionado, buscar uma vaga no Senado pode soar como alternativa interessante para o governador. Para os planos de Márcio França, ter Aldo Rebelo no Planalto seria uma mão na roda.

O poder é uma briga de foice no escuro. Desta vez, porém, Aldo Rebelo prega a paz no Planalto, com a pombinha branca do PSB. A foice e o martelo que ele empunhou por 40 anos vão para o depósito de recicláveis. Nessa altura do campeonato, quando um histórico comunista alia-se a um membro do satanizado DEM para exercer uma fatia do poder, inevitável lembrar de Cazuza, que cantou “Ideologia, eu quero uma pra viver! Luís Carlos Nunes

Abaixo, a íntegra do manifesto

MANIFESTO PELA UNIÃO NACIONAL

“Não precisa o Brasil ser dividido, é melhor união progresso e paz”
(Geraldo Amancio, poeta e repentista)

O Brasil vive grave e profunda crise, que ameaça seu futuro de Nação livre, próspera e soberana. O esforço de nossos antepassados, sem temer sacrifícios nem renúncias para construir a País é posto à prova pela atual desorientação sobre que rumos seguir para ampliar a independência e a autonomia nacionais, elevar o bem-estar material e espiritual da população e proteger o convívio democrático entre os brasileiros. As rupturas operadas na ordem institucional geraram um quadro de aguda polarização, agravado pela recessão econômica, pelos altos níveis de desemprego e subemprego, e pela violência em suas variadas formas. A sociedade brasileira encontra-se dividida, desorientada e desalentada, com sua agenda pautada por atores e interesses minoritários, e mesmo antinacionais, ambiente ideal para a proliferação de várias formas de morbidez social, entre elas a corrupção.

Somente a união de amplas forças políticas, econômicas e sociais, em torno de uma proposta de reconstrução e afirmação nacional, pode abrir caminho para a superação da crise atual. Tal proposta não pode ser apenas uma plataforma de metas econômicas e sociais, mas deve buscar sua inspiração no estado de espírito capaz de mobilizar amplamente os diversos atores da sociedade, com o objetivo comum de ver o País progredir de forma que os benefícios do desenvolvimento sejam percebidos por todos eles, levando-os a se sentirem como seus protagonistas ativos. Este projeto exige como pressuposto que a defesa e o desenvolvimento do Brasil sejam o fundamento para assegurar a efetiva expansão dos direitos sociais e da democracia.

A elaboração e implantação do projeto de construção e afirmação nacional não poderão limitar-se à classe política, mas terão que ser compartilhadas pelos mais diversos segmentos representativos da sociedade. Isto exige o afastamento de toda sorte de preconceitos motivados por ideologias e maniqueísmos, que se mostram insuficientes e limitados para permitir o entendimento da situação. Acima de tudo, é necessário abandonar a enganosa dicotomia entre Estado e Mercado, que tem servido apenas para mascarar a captura das estruturas do primeiro por coalizões de interesses particulares, substituindo-a por uma eficiente cooperação entre o poder público e a iniciativa privada, em prol do bem comum, como ocorreu e ocorre em todos os países que conseguiram enfrentar e remover os desafios no caminho do desenvolvimento duradouro e sustentável.

As gerações que nos antecederam ergueram material e espiritualmente o Brasil, em quatro grandes movimentos, a saber:

1) a formação da base física, a conformação do território, do ano zero de 1500 e da originária Terra de Santa Cruz, ao Tratado de Madrid, em 1750, que configurou de forma aproximada as atuais fronteiras nacionais e iniciou o processo de mestiçagem que caracterizou a formação social brasileira.

2) a epopeia da Independência, consolidada em 1822, representada nas figuras luminares de Tiradentes e José Bonifácio, Patriarca idealizador de um projeto de Nação que ainda guarda grande atualidade.

3) a fase da defesa e manutenção da unidade territorial, com D.Pedro I e D.Pedro II e que se encerra com a libertação dos escravos em 1888;

4) a República proclamada por Deodoro da Fonseca e consolidada por Floriano Peixoto, que tem o apogeu em Getúlio Vargas e seu ambicioso programa de industrialização e modernização do Estado, pondo em prática aspirações anteriores dos movimentos Sanitarista, Tenentista e da Nova Educação. A partir de Vargas o Brasil oscilou ao sabor das correntes varguista e anti-varguista, até os nossos dias.

Hoje, nos marcos da economia globalizada e com o País em condições mais favoráveis que no passado, temos a missão de iniciar um novo projeto nacional, o quinto movimento, em três direções e três objetivos:

1) ampliar a soberania nacional com o pleno desenvolvimento econômico, científico, tecnológico e dos meios de defesa do País;

2) elevar a qualidade de vida do povo brasileiro com a redução das desigualdades sociais; proteção da infância e da maternidade, acesso à educação de qualidade, saúde e saneamento básico; combate sem tréguas ao crime organizado e valorização da segurança pública contra o banditismo em todas as suas formas;

3) fortalecer a democracia e a tolerância na convivência entre os brasileiros, com realização de uma reforma política que liberte nosso sistema político do controle de interesses corporativos e oligárquicos e assegure o predomínio dos grandes debates dos temas nacionais na esfera pública.

A crise nacional acontece em meio a um quadro global de mudança de época, marcado por:

a) agravamento das consequências socioeconômicas negativas da globalização dirigida pelas finanças especulativas internacionais;

b) alteração do eixo geoeconômico mundial para a Eurásia-Pacífico;

c) emergência de um cenário de poder multipolar, em contraposição à unipolaridade do período posterior ao fim da Guerra Fria;

d) novas revoluções científicas e tecnológicas e rápida introdução de tecnologias inovadoras (Quarta Revolução Industrial), com profundos impactos sobre as formas de produção de bens e serviços, níveis de emprego, relações de trabalho, qualificação da força de trabalho e as próprias relações sociais em geral.

Todos esses aspectos terão influência determinante para o necessário projeto nacional brasileiro, que, por sua vez, é condição decisiva para exercer influência sobre a dinâmica global. Por isso o projeto nacional brasileiro precisa contemplar a relevância continental do País, que ocupa metade da América do Sul, representa cerca de 50% da economia da região, faz fronteira com dez outros países e representa a força motriz potencial para a integração física e econômica do subcontinente. O Brasil deve assumir definitivamente o papel de liderança benigna e não hegemônica do bloco sul-americano, dando-lhe “massa crítica” para participar de forma eficaz e positiva na reconstrução da ordem mundial que está em marcha.

É fundamental que o sistema financeiro reoriente seus esforços para estimular e apoiar as atividades produtivas. Os títulos da dívida pública não podem continuar sendo o investimento mais rentável do País, como ocorreu no período de 2001-2016, muito acima de qualquer atividade produtiva. A aspiração ao desenvolvimento não pode ser bloqueada pelos interesses rentistas locais ou estrangeiros.

A reversão da desindustrialização que afeta o País é crucial. O Brasil tem regredido dramaticamente em capacidade industrial, principalmente no segmento de alta tecnologia, impactando as camadas médias da sociedade, com a perda de empregos qualificados e de melhor remuneração. A despeito da rapidez do processo, ainda temos uma das dez maiores e mais diversificadas bases industriais do mundo. Além de recuperar a capacidade produtiva, é determinante requalificar todo o setor industrial para enfrentar o desafio da Quarta Revolução Industrial, baseada em elevados índices de automação e conectividade, e intenso fluxo de inovações tecnológicas de ponta.

A retomada do desenvolvimento brasileiro exige a estruturação de cadeias produtivas de maior valor agregado baseadas em conhecimento nacional. Isto, por sua vez, requer a ampliação dos investimentos públicos e privados em todas as dimensões da educação e geração do conhecimento e de sua aplicação inovadora na economia nacional, incluindo o apoio efetivo e criterioso à capacitação e elevação da produtividade das empresas nacionais. O Estado Nacional deverá passar também por uma profunda reforma que incorpore e internalize no seu sistema de controles o princípio da incerteza que rege a descoberta científica e a dinâmica da inovação, de forma a não travar a atividade de pesquisa ou inibir a criatividade do empreendedor.

Aos alarmantes índices de deficiências educacionais da população matriculada na rede de ensino, soma-se a crescente degradação do ambiente escolar, com o aumento da violência e o abandono das noções de disciplina e hierarquia, sem as quais o esforço de aprendizagem está fadado ao fracasso. A realidade tem demonstrado que além da destinação de recursos é urgente a retomada da questão educacional como prioridade central do Estado, que deve protegê-la dos vícios do corporativismo, enaltecer o papel do professor e restaurar sua autoridade dentro da sala de aula e na sociedade.

A agricultura, a pecuária e a agroindústria constituem ativos econômicos, sociais, culturais e geopolíticos de grande importância para o Brasil. Mesmo enfrentando a forte e subsidiada concorrência dos criadores e agricultores europeus e norte-americanos, nossos, pequenos, médios e grandes produtores abastecem o mercado interno e ganham cada vez mais espaço no comércio mundial de alimentos. O status de grande produtor de grãos e proteína gera para o Brasil, além de divisas, respeito crescente num mundo cada vez mais carente de segurança alimentar. O Brasil deve valorizar social e culturalmente seus trabalhadores, criadores e produtores rurais, protegê-los com financiamento, crédito e seguro; destinar recursos para ciência, tecnologia e inovação para melhorar a produtividade de todas as atividades a eles relacionadas.

As Forças Armadas são instituições fundadoras da nacionalidade e do Estado Nacional e cumprem a dupla missão de defender e construir o País. Do programa nuclear ao nosso primeiro computador, da pesquisa espacial, indústria aeronáutica e defesa cibernética, as instituições armadas têm cumprido papel de vanguarda e pioneirismo. Cumprem missão humanitária socorrendo os índios e ribeirinhos da Amazônia ou as vítimas da seca no sertão nordestino sem perder o etos de organização de combate e de defesa da Pátria.

Portanto, é preciso valorizar e reconhecer as Forças Armadas brasileiras, seus feitos e seus heróis, seus valores, patriotismo e elevado espírito de generosidade e solidariedade para com a comunidade. Tal atitude deve ter sentido educativo para as crianças e para a juventude exposta ao ambiente de corrosão dos valores da nacionalidade com que convivemos no dia a dia.

A política ambiental deve refletir um real compromisso com o desenvolvimento sustentável do País, em vez de simplesmente se enquadrar em agendas formuladas por atores e interesses externos. Entre outras prioridades, deverá enfocar as deficiências em saneamento básico, disposição de lixo, ocupação irregular de áreas de risco, e a ampliação da infraestrutura de previsão e resposta a emergências causadas por fenômenos naturais.

Da mesma forma, é preciso uma urgente redefinição da política para as populações indígenas, compatibilizando-a com o direito de toda a população a uma evolução civilizatória digna, respeitando-se as suas tradições culturais e sua contribuição decisiva para a constituição da identidade nacional. Somente assim será possível assegurar-lhes uma integração gradativa à sociedade nacional, como cidadãos plenos e aptos a dispensar, eventualmente, a tutela permanente do Estado.

Alvo de pressões e cobiça internacional, a Amazônia clama por ações efetivas de controle e afirmação da soberania sobre seu imenso território, e por políticas públicos de estímulo e apoio ao seu desenvolvimento e de proteção de suas populações indígenas e ribeirinhas e da biodiversidade.

Nossa produção artística e cultural, em sintonia com os grandes movimentos da Nação, inventou o Brasil ao longo da sua história. É importante defender e promover o rico e variado patrimônio cultural da Nação brasileira, sua língua, suas tradições e múltiplas manifestações, sua criatividade e seu potencial de desenvolvimento econômico, enfrentando as práticas concentradoras e restritivas dos grandes conglomerados internacionais da mídia e da internet.

O Brasil deve promover e exaltar a participação da mulher na construção do País e reconhecer em nossas antepassadas indígenas, africanas e europeias relevante papel na constituição da Nação e na formação da identidade do povo brasileiro.

A luta sem trégua contra o preconceito racial no Brasil se impõe pela valorização da herança e contribuição africana na formação da cultura e da identidade nacional brasileira e pela celebração da mestiçagem como traço decisivo de nosso legado civilizatório. Devemos repudiar qualquer tentativa de se introduzir no Brasil modelos importados de sociedades que institucionalizaram o racismo em suas relações sociais.

O combate à corrupção deve ser um objetivo permanente da sociedade e do Estado, mas não se pode paralisar o País a pretexto de se eliminar um mal que é endêmico nas economias de todo o mundo.

O Brasil precisa voltar a crescer. Esta é a questão central. Não há como sanear as finanças públicas sem que a economia cresça e a arrecadação tributária aumente. Não há como se negar que o Brasil precisa de reformas que corrijam distorções, eliminem privilégios corporativos, facilitem a empregabilidade e o funcionamento da economia. Mas não haverá equilíbrio da Previdência se não houver emprego e arrecadação. Não haverá reforma que convença o empreendedor privado a investir se não houver perspectiva de demanda. E para o Brasil voltar a crescer, o primeiro consenso a ser alcançado é que todos se convençam disso. Nenhum homem ou mulher de boa vontade irá se opor a algum sacrifício se isso significar esperança para si e futuro para seus filhos. Mas todos precisam abrir mão de alguma coisa. São inaceitáveis reformas que descarreguem o peso do ajuste sobre os ombros dos mais fracos e protejam os interesses de grupos elitistas que concentram o patrimônio nacional.

O Brasil é um País rico, principalmente em recursos humanos. Se todos puderem compartilhar do desenvolvimento dessa riqueza ele será mais próspero e feliz. Ninguém é contra que os mais capazes e talentosos se enriqueçam. Ninguém é contra que quem empreenda tenha a justa recompensa pelo seu esforço. Mas o Brasil não precisa, não deve e não pode ser tão desigual. Esse é o grande acordo que precisa se estabelecer na sociedade brasileira. É em torno desse ideal transcendente de grandeza nacional e de justiça que devem se unir os brasileiros de todas as classes, profissões, origens, condições sociais e credos.