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Os liberais estão corretos em se recusar a fazer companhia a Bolsonaro.

jornalista Carlos Alberto Sampaio de OExpresso

Bolsonaro arrumou um partido. É o PSL, Partido Social Liberal. Até então, o candidato da molecada que se acha macho alfa porque joga muito videogame de tiro estava negociando com outros partidos do baixíssimo clero da política brasileira: PSC, Patriota, e o PR de Valdemar Costa Neto. Isso, aquele Valdemar Costa Neto. Esse mesmo.

A afinidade é natural: Bolsonaro é baixo clero puro-sangue. Nunca teve qualquer relevância parlamentar, nunca participou de um único debate relevante, nunca aprovou um projeto de lei que valesse nada. Quando o PSDB derrotou a hiperinflação, Bolsonaro queria fuzilar FHC. Quando o PT tirou milhões de brasileiros da miséria, Bolsonaro estava decidindo qual das ministras petistas merecia ser estuprada.

Bolsonaro se encostou no salário de deputado faz 30 anos, enfiou seus filhos na mesma carreira e é realmente a cara do PSC, do Patriota, de Valdemar Costa Neto. Bolsonaro é um Severino Cavalcanti que só teria coragem de brigar com Gabeira se alguém já tivesse amarrado o ex-guerrilheiro no pau-de-arara.

O PSL já foi baixíssimo clero como os outros desta lista, mas vinha tentando se reabilitar. Um pequeno grupo liberal, o “Livres”, entrou em massa no PSL, conquistou diversos diretórios e vinha tentando dar ao partido a cara de um partido claramente liberal. Era uma boa ideia: seria ótimo se o liberalismo se apresentasse nas eleições brasileiras para o debate aberto.

Mas o Livres foi traído pelo presidente do PSL, Luciano Bivar, que todo mundo achava que era só mais uma mediocridade produzida pelo baixo clero da política brasileira e, vejam só, era mesmo, estava todo mundo certo, parabéns para todo mundo.

Ao que parece, Bivar entregou o partido para Bolsonaro em troca do lugar de vice na chapa. É isso aí, Bolsonaro, candidato a vice tem que ser assim, leal, sujeito homem que cumpre acordo. Tenho certeza de que será um sucesso, você sabe que eu só quero o seu bem.

Diante dessa traição bastante vira-lata por parte do PSL, os membros do Livres saíram do partido, no que demonstraram consistência ideológica e noções básicas de higiene.

Estão corretíssimos os liberais que se recusaram a fazer companhia ao lambe-Ustra: ou o sujeito é liberal, ou apoia Bolsonaro. Afinal, liberalismo econômico qualquer sujeito afim de puxar o saco de rico defende. O teste do liberal sincero é a defesa do liberalismo político, das liberdades individuais, da democracia. E o liberalismo político implica a defesa dos direitos humanos. Foi o velho John Locke que mais ou menos inventou as duas coisas, afinal. Procurem os depoimentos de Bolsonaro sobre direitos humanos e calculem o que ele faria se pudesse colocar as mãos em John Locke. Depois de alguma outra pessoa ter amarrado o Locke no pau-de-arara, claro.

O sujeito defender desregulamentação de empresa de rico (mesmo quando isso é uma boa ideia) só quer dizer que ele quer ser convidado para as festas certas. O que o Locke quer saber é se o sujeito defende que a polícia não pode entrar em barraco de favela sem o mesmo mandado que precisa mostrar em bairro de classe média. E o Locke defendia o direito à insurreição, de modo que, se eu fosse vocês, não provocaria o sujeito, não. Liberalismo político é coisa séria. Bolsonaro: nunca será.

No Brasil crime sempre compensa. Inclusive o da sonegação.

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Impressionante o número de “patriotas” que trouxeram seu rico dinheirinho do Exterior e jogaram na lavanderia de preços módicos do Governo. Eles pagaram 15% de imposto de renda e 15% de multa, o que redundou numa mega arrecadação de R$50 bilhões. O que dá a entender que mais de R$166 bilhões retornaram ao País. Enquanto isso, o pobre do profissional que presta um serviço aqui dentro do País, paga 28% de Imposto de Renda e mais as obrigações com a previdência.

O crime sempre compensa. Inclusive o de sonegação. Veja a corrida que acontece para comprar apostas premiadas das loterias da Caixa, pagando ágios de até 8% sobre o prêmio. Acontece e há muito tempo. Lembra do João Alves, um dos anões do orçamento, que acertou mais de 200 vezes na loteria?

A história da internação de dinheiro rendeu tanto, que surfando nessa onda de desonestidade admitida, o Governo quer abrir nova temporada de caça aos dinheiros das contas numeradas e off shores.

Por falar nisso: o Governo provisório do sr. Michel Temer esqueceu por completo daquela história de taxar a transmissão de grandes fortunas? Esqueceu, não é? Não é bobo de jogar contra os patrões. Vai fazer é bandidagem contra os pobres que precisam da saúde e da educação pública. Aliás, os menos favorecidos fizeram por merecer. Afinal, não foram eles que abominaram políticas sociais e progressistas nestas eleições municipais?

Minha última e desesperada esperança é que a delação da Odebrecht alcance os 400 picaretas da política e que um tribunal revolucionário instale, enfim, um “paredon” no País. Carlos Alberto Sampaio de OExpresso